Para WWF, países devem se mirar nos exemplos de sustentabilidade apresentados na Rio+20 | WWF Brasil

Para WWF, países devem se mirar nos exemplos de sustentabilidade apresentados na Rio+20



22 junho 2012    
Cristo Redentor, Rio+20
© © Anand Gopal / WWF
 Rio de Janeiro: No último dia da Rio+20, ainda são muitas as incertezas sobre como será adotado o relatório final da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. Nesse cenário, para a presidente do Conselho do WWF Internacional, Yolanda Kakabadse, “seria justo o Brasil reconhecer que não houve vontade política, nem empenho de nenhum país presente aqui para incluir medidas mais ousadas no documento da Rio+20”.

Segundo ela, “os países vieram aqui, os chefes apertaram as mãos, mas ninguém fez nada para melhorar o documento”. E advertiu: “Se eles quisessem fazer a diferença, poderiam ter dito: não aceitamos o documento, e teriam proposto mudanças no texto. Mas todos baixaram a cabeça e aceitaram. Não quiseram ir contra, questionar e se comprometer com medidas mais ousadas”, concluiu Yolanda.

Maria Cecilia Wey de Brito, secretária geral do WWF- Brasil, destacou que conferências como a Rio+20 são importante pois reúnem muitos países permitindo ver qual o papel assumido por cada um deles nas negociações. Avaliando o discurso do governo brasileiro, que assumiu ser o documento resultante das negociações “o documento possível”, Maria Cecília ressaltou que o planeta precisa de um máximo possível de legislações e acordos na direção da sustentabilidade, e não de acordos mínimos.

Professores levam sustentabilidade para casa
Dezenas de professores de escolas do Rio de Janeiro, de outros estados e inclusive de fora do país levaram da Rio+20 algo mais que boas recordações: uma série de materiais didáticos e boa dose de entusiasmo para educação ambiental.

O grupo participou, nesta sexta-feira (22), de uma oficina de educação ambiental na Fundação Planetário, na capital fluminense, como parte da programação da Rio+20. Foi utilizado como material didático, publicações desenvolvidas pelo WWF-Brasil e parceiros, a exemplo do livro “Investigando a Biodiversidade: guia de apoio aos educadores do Brasil”, o “Pequeno guia de consumo para um mundo pequeno”, além do jogo “Reciclando”.

A oficina foi organizada pelo Instituto Supereco, com apoio do WWF-Brasil e do Programa Água Brasil, concebido pelo Banco do Brasil e desenvolvido em parceria com a Fundação Banco do Brasil, a Agência Nacional de Águas.

A bióloga Terezinha Martins, do WWF-Brasil, fez ainda, durante o evento, uma apresentação do cálculo da pegada ecológica, método que mede o impacto da ação humana sobre a natureza. “Esse tipo de oficina é muito útil para o trabalho em sala de aula, porque amplia a nossa visão sobre o assunto”, disse a professora carioca Zoraia Leite da Silva. 

Já a professora Giuliana Zegarra, do Peru, se disse entusiasmada para voltar para casa e começar um projeto piloto de educação ambiental usando os novos conhecimentos e ferramentas que conheceu na oficina. “Tudo aqui é muito novo para mim. Precisamos desse trabalho continuado para fazer a mudança necessária”, disse.

Escravidão e devastação
Ainda na Fundação Planetário, o WWF-Brasil e Instituto Ethos apresentaram hoje, durante o Fórum Amazônia Sustentável na Rio+20, o estudo “Combate à devastação ambiental e ao trabalho escravo na produção do ferro e do aço”. Em suas 140 páginas, a publicação revela conexões nacionais e internacionais dessas práticas ilegais, alcançando Amazônia, Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica e Caatinga, além de empresas brasileiras e multinacionais de vários setores produtivos, como siderúrgicas, guseiras, montadoras, cimenteiras, entre outros. O estudo também promoveu uma articulação com entidades civis e empresas para a definição conjunta de soluções.

Para o coordenador do Programa Cerrado-Pantanal do WWF-Brasil, Michael Becker, a iniciativa para a erradicação do trabalho escravo e da degradação ambiental da produção de aço, gusa e carvão demonstra que caminhos para o tão falado desenvolvimento sustentável podem ser construídos pela sociedade civil e setor produtivo. “A Rio+20 não trouxe resultados oficiais significativos, apesar de já dispormos de tecnologia, vontade e caminhos para muitas soluções. Não precisamos aguardar por grandes acordos multilaterais para agir”, ressaltou.

É possível saber mais sobre esta iniciativa nos links ao lado:
http://www.wwf.org.br/?uNewsID=31543
http://www.wwf.org.br/?31062/Entidades-civis-e-empresas-se-unem-para-combater-a-devastao-ambiental-e-o-trabalho-escravo-na-produo-de-carvo-vegetal

Mesa redonda discute a certificação de commodities
Em evento organizado pelo governo holandês, no Pavilhão da União Européia, no Parque dos Atletas, representantes do país, de empresas e do WWF-Brasil discutiram como garantir a produção sustentável da soja. O evento teve entre os palestrantes o ministro holandês para as Relações Europeias e Cooperação Internacional, Johan Van Der, e o coordenador do programa Cerrado-Pantanal do WWF-Brasil, Cássio Moreira Franco.

Na sua apresentação, Johan Van der destacou que, com o aumento da demanda por alimentos resultante do crescimento populacional, os governos precisam descobrir caminhos para a produção sustentável dessas commodities. “Estamos convencidos de que a sustentabilidade tem que estar sempre como uma questão central neste processo”, disse.

A Holanda é o segundo maior comprador de soja do mundo, ficando atrás apenas da China. E o Brasil é segundo o maior produtor da commodity, principalmente no Cerrado brasileiro. Durante o debate, o coordenador do Programa de Agricultura e Meio Ambiente do WWF-Brasil destacou a importância de estimular a certificação da soja, uma vez que a sua produção é uma das grandes responsáveis pelo desmatamento e pela contaminação do solo, devido ao uso de produtos químicos. Por isso, o WWF apoio esse processo. “A iniciativa da Holanda é muito importante e esperamos que esse exemplo seja seguido por outros países”, destacou Franco.

O governo holandês vem atuando com o estímulo à produção sustentável da soja, apoiando os produtores no processo de certificação RTRS. Esse apoio é feito por meio da Iniciativa de Comércio Sustentável da Holanda (IDH), que tem a participação do governo, de empresas holandesas de varejo, comércio e indústria e de organizações da sociedade civil, como o WWF e o Solidariedade.

Em dezembro do ano passado, foi assinado um compromisso dessas instituições de que até 2015, 100% da soja consumida no país seja proveniente de produção certificada (RTRS). Para apoiar os produtores nesse processo de certificação e realizar campanhas junto aos consumidores, estão sendo investidos inicialmente € 7 milhões (cerca de R$ 17 milhões). Os recursos são de um fundo, criado com recursos do governo e da iniciativa privada.

É possível saber mais sobre esta iniciativa nos links ao lado.


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