Descoberta de campinarana com características peculiares surpreende cientistas



23 agosto 2011    
Gustavo Irgang, geógrafo e chefe da Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
Gustavo Irgang, geógrafo e chefe da Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
© WWF-Brasil/Juvenal Pereira
Por Jorge Eduardo Dantas de Oliveira

Imagine descobrir, nos últimos dias de uma longa expedição, uma área de campinarana inesperada, mal-identificada por satélite, com um visual lindíssimo e uma rica variedade de recursos naturais: pequenos rios com águas de cores diferentes, vegetação peculiar e abrigos cavernosos com inscrições indígenas desconhecidas. Pois foi exatamente isso que aconteceu durante a Expedição Guariba-Roosevelt. No fim da trilha F, a sexta e penúltima da expedição, os pesquisadores se depararam com uma paisagem diferenciada e belíssima que mereceu até um sobrevôo.

A área em questão ainda não teve seu tamanho total estimado. Ela fica situada entre os rios Guariba e Roosevelt – parcialmente fora dos limites da reserva extrativista (resex). Formada por chão de pedra e com uma vegetação diferenciada em relação à existente nos arredores, completam a paisagem vários cursos d’água – alguns secos, vários com peixes raros. O enorme tamanho da área, sua beleza, a vegetação e ictiofauna distintas e as formações rochosas que se tornavam cavernas chamaram a atenção de todos os cientistas no acampamento.

“A descoberta desta região, sem dúvida, foi a grande surpresa na expedição. Já esperávamos verificar várias situações, mas essa não”, afirmou o chefe da Expedição Guariba-Roosevelt, o geógrafo Gustavo Irgang.

O especialista disse que, nas fotos de satélite que subsidiaram o planejamento e logística do trabalho, a área aparecia de forma tímida e sem grandes atrativos. “Acreditava que este chão era de areia e a região em si fosse pequena. Mas não. Este chão tem formações rochosas e a extensão do terreno é muito grande. Este lugar merece outros estudos”, afirmou.

A região é de difícil acesso – ela está situada a mais de 2,5 quilômetros do rio Roosevelt, que serviu de entrada aos pesquisadores, e a mais de 1 quilômetro do fim da trilha F. Ela foi estudada por três dias e, durante a segunda visita, os pesquisadores andaram cerca de 2,5 quilômetros em seu interior. A ocorrência de raios possivelmente é muito frequente por ali, já que o chão é de pedra maciça e foram encontradas árvores e arbustos carbonizados em vários pontos da área.

“Esta região possui uma vegetação diferenciada e pouco vista na literatura. É possível que tenhamos novas espécies de plantas para descrever aqui”, contou o engenheiro florestal Ayslaner Gallo, responsável pelos estudos de vegetação. Integrante da equipe de ictiologia, que estuda peixes, James Machado Bilce disse que novas espécies de “piaus” – como são conhecidos na região os peixes pequenos, coloridos e de grande valor ornamental – podem ser encontradas também. “Fizemos uma visita lá e obtivemos um resultado muito interessante. Coletamos várias espécies que merecem ser melhor  pesquisadas e que eu não conhecia”, contou.
Gustavo Irgang, geógrafo e chefe da Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
Gustavo Irgang, geógrafo e chefe da Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
© WWF-Brasil/Juvenal Pereira Enlarge
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