"Os rios são barreiras que dividem espécies do mesmo gênero", diz pesquisador



23 agosto 2011    
Capivara no Rio Roosevelt. Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
Capivara no Rio Roosevelt. Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
© WWF-Brasil/Juvenal Pereira
Por Jorge Eduardo Dantas de Oliveira

Os rios Guariba e Roosevelt funcionam como “barreiras biológicas” para os mamíferos do noroeste do Mato Grosso, informou o biólogo Júlio Dalponte. O cientista, responsável pelos estudos de mastofauna da Expedição Guariba-Roosevelt, contou que os rios “separam” espécies diferentes de animais pertencentes ao mesmo gênero – e que não se misturam. Além disso, os mesmo animais, quando encontrados em margens distintas dos rios, se comportam de maneira muito diferente.

Outros bons resultados relacionados aos mamíferos incluem a descoberta de duas possíveis novas espécies de primatas, do gênero Callicebus sp, e a ocorrência de cinco espécies brasileiras ameaçadas de extinção no noroeste mato-grossense. São elas: o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), o tatu-canastra (Priodontes maximus), a ariranha (Ptenorura brasiliensis), a onça-pintada (Panthera onca) e a jaguatirica (Leopardus pardalis).

Júlio afirmou, por exemplo, que a região que abriga os rios Guariba e o Roosevelt é lar de espécies diferentes de macacos. As comunidades desses animais estão separadas por margens de rios e suas comunidades não interagem entre si.

Outro exemplo deste fenômeno é o comportamento dos tatus. Na Reserva Extrativista Guariba-Roosevelt, o tatu-quinze-quilos (Dasypus kappleri) predomina sobre o tatu-galinha (Dasypus novemcinctus). Já na Estação Ecológica Rio Roosevelt – separada da resex pelos 60 metros de largura do rio Roosevelt - a situação se inverte.

“As margens dos rios isolam as espécies e assim elas entram em processos evolutivos diferentes. Como essas comunidades de animais não se misturam, elas acabam desenvolvendo hábitos e costumes diferenciados”, explicou Dalponte.

O pesquisador contou que entre os mamíferos verificados nas quatro unidades de conservação visitadas pela Expedição Guariba-Roosevelt estão ainda o Tatuí (Emerita brasiliensis), o menor das espécies do gênero Dasos, encontrado nas áreas de campinarana; várias espécies de macacos; mamíferos aquáticos como lontras e ariranhas; antas e onças-pintadas. Pequenos felinos “não apareceram” e pequenos primatas, como sagüis, micos e zog-zogs foram os mamíferos que mais ocorreram.   

Julio Dalponte afirmou que para conhecer melhor a fauna da região, no entanto, são necessários estudos mais detalhados. “As lontras e a ariranhas, por exemplo, merecem outros estudos para sabermos como estão as comunidades desses animais. Encontrei mais facilmente a anta na Estação Ecológica Rio Roosevelt, nem tanto nas outras unidades de conservação; os quatis deveriam ser abundantes, mas não ocorreram; e as onças também não surgiram em grande quantidade. Com certeza, é um bicho mais falado do que visto na região”, declarou.
Capivara no Rio Roosevelt. Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
Capivara no Rio Roosevelt. Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
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