ESPÉCIES AMEAÇADAS: Cinco espécies de animais em extinção são encontradas no noroeste do Mato Grosso



23 agosto 2011    
O biólogo Júlio Dalponte durante a Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
O biólogo Júlio Dalponte durante a Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
© WWF-Brasil/Juvenal Pereira
Por Jorge Eduardo Dantas de Oliveira

Dentre as 48 espécies de mamíferos encontradas nas unidades de conservação estaduais do noroeste de Mato Grosso durante a Expedição Guariba-Roosevelt, ao menos cinco espécies estão ameaçadas de extinção no Brasil. A expedição teve como objetivo colher informações para dar início à redação dos planos de manejo de quatro unidades de conservação mato-grossenses.

Segundo um relatório preliminar da expedição assinado pelo biólogo Júlio Dalponte, responsável pelos estudos dos mamíferos, os animais ameaçados de extinção e verificados no noroeste do Mato Grosso foram: o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), o tatu-canastra (Priodontes maximus), a ariranha (Ptenorura brasiliensis), a onça-pintada (Panthera onca) e a jaguatirica (Leopardus pardalis).

Júlio contou que a ocorrência dos animais não foi algo inusitado. “A distribuição geográfica dessas espécies é amplamente conhecida e a chance de que elas pudessem ocorrer no noroeste do Mato Grosso era grande”, explicou.

O pesquisador contou também que a existência de listas que atestem a presença dos animais ameaçados é fundamental porque permite a criação de políticas ambientais próprias para aquela região.

“Essas listas que nós estamos elaborando, com registros efetivos da riqueza de espécies e tentativas de avaliação da abundância local de animais e plantas, são importantes para a formulação de políticas e tomadas de decisão realistas - bases científicas imprescindíveis para as categorizações de ameaças ambientais nos âmbitos nacional e internacional”, afirmou.

A Expedição Guariba-Roosevelt percorreu quatro unidades de conservação criadas na década de 90. O tatu-canastra e a onça-pintada foram registrados na Reserva Extrativista (Resex) Guariba-Roosevelt, nas Estações Ecológicas rio Madeirinha e rio Roosevelt e no Parque Estadual Tucumã. A jaguatirica foi encontrada na resex e na Estação Ecológica Rio Roosevelt; e o tamanduá-bandeira e a ariranha, na resex - embora a ocorrência dessas espécies seja esperada para todo o conjunto de unidades de conservação do noroeste mato-grossense.

No relatório preliminar que apontou a presença das espécies na área, Júlio Dalponte afirmou ainda que a resex é a unidade de conservação mais fragilizada. Entre os inúmeros problemas ambientais encontrados, estão poluição acústica em alguns pontos de amostra, grande movimento de embarcações, presença de uma rodovia, caça, proximidade com vilas e o próprio formato da reserva que a predispõe a pressões externas.

O atual “livro vermelho” das espécies brasileiras ameaçadas de extinção traz a lista  divulgada por meio de instruções normativas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), publicadas em 2003 e 2004. No total, são 627 espécies sob o risco de extinção, sendo 69 mamíferos, 154 peixes e 130 invertebrados terrestres.

A Expedição Guariba-Roosevelt reuniu 25 profissionais de vários estados brasileiros com o objetivo de realizar uma Avaliação Ecológica Rápida (AER) das quatro unidades de conservação visitadas pelos expedicionários. A expectativa é que os planos de manejo dessas áreas protegidas sejam concluídos no segundo semestre de 2011.
O biólogo Júlio Dalponte durante a Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
O biólogo Júlio Dalponte durante a Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
© WWF-Brasil/Juvenal Pereira Enlarge
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