Colniza: a cidade mais violenta do País



23 agosto 2011    
Margens do rio Madeirinha, durante Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
Margens do rio Madeirinha, durante Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
© WWF-Brasil/Juvenal Pereira
Por Jorge Eduardo Dantas de Oliveira

Em 2004, o município mato-grossense de Colniza, distante 1,2 mil quilômetros de Cuiabá, ganhou má-fama: a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) divulgou um estudo onde apontava a cidade como a mais violenta do Brasil. No início da década, Colniza registrava 165,3 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes – o mais alto índice de homicídios do Brasil. O motivo das mortes? Conflitos fundiários e desavenças entre madeireiros, seringueiros, agentes do poder público e ambientalistas.  

O município de Colniza possui, em seu território, quatro unidades de conservação visitadas pela Expedição Guariba-Roosevelt: Reserva Extrativista Guariba-Roosevelt, Estação Ecológica Rio Madeirinha, Estação Ecológica Rio Roosevelt e Parque Estadual Tucumã. A cidade surgiu na década de 80, como parte de um projeto para colonizar a Amazônia. A idéia era trazer famílias sem terras da região Sul e instalá-las, de forma ordenada, no noroeste do Mato Grosso.

As primeiras estradas de acesso ao município foram abertas em 1986. O garimpo é uma marca importante na história da cidade – por muitos anos, esta foi a principal atividade econômica daquela população. Quando a atividade garimpeira entrou em declínio, na década de 90, Colniza foi abandonada e tornou-se uma “cidade fantasma”: apenas 23 famílias permaneceram ali. Um novo fluxo migratório teve início em 1994 – mas, desta vez, os cidadãos vinham do estado vizinho de Rondônia.

A história de Colniza, assim como de várias outras cidades amazônicas, é repleta de adversidades: doenças como dengue e malária, picadas de mosquitos, falta de estradas, longos períodos de chuvosos, falta de comunicação e difícil acesso, além da distância da capital, foram – e alguns ainda são - problemas graves de quem se aventura por ali.
Colniza possui pouco mais de 20 mil habitantes, está situada a mais de mil quilômetros de Cuiabá e existe como município desde 1998. Até então, era um distrito da cidade de Aripuanã, outra localidade mato-grossense marcada pelos conflitos fundiários.
Margens do rio Madeirinha, durante Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
Margens do rio Madeirinha, durante Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
© WWF-Brasil/Juvenal Pereira Enlarge
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