O defensor das tartarugas



03 setembro 2009    
Valdemar da Silva Brazão recolhendo os ovos de qulônios para proteger a espécie.
© WWF-Brasil / Zig Koch
Por Ana Cíntia Guazelli e Isadora de Afrodite

Valdemar da Silva Brazão tem 54 anos e desde os 10 vive na região do médio rio Negro. Mora na comunidade de Gaspar, às margens do rio Jauaperi, no Amazonas, na área proposta para a Resex Rio Branco-Jauaperi.

Preocupado com o desaparecimento de algumas espécies que ele costumava ver na região quando era criança, Valdemar decidiu tomar providências.

Na época da desova de quelônios, o morador passa suas noites na praia da Mariquinha para impedir que caçadores ilegais roubem os ovos ou matem animais de casco. Valdemar conta que essa região do rio Jauaperi tinha uma rica e diversa fauna, com muitas espécies de peixes, além de pacas, antas e mutuns.

Com a chegada de grandes barcos pesqueiros, espécies como peixe-boi e pirarucu desapareceram, e a ação dos madeireiros afetou as aves e os mamíferos. “Não tinha nenhuma regra, os pesqueiros entraram e tinha muita fartura, mas eles tiravam muito, até acabar”,afirma Valdemar.

Ele, que também era pescador, percebeu que, se continuasse com a pesca predatória,seus filhos e netos não conheceriam muitas das espécies que tornavam o rio tão rico e exuberante.

De outubro a dezembro, período em que os quelôniosse reproduzem, Valdemar recolhe os ovos depositados na praia e os coloca em covas artificiais, improvisadas em canoas de madeira.

Quando eclodem, depois de 50 dias, todos os filhotes são levados de volta para o rio. A operação conta com o apoio de outros moradores da região. “Eu vou até o final na luta pela preservação. A floresta é a minha casa”.

Enquanto a resex não for criada, é pelo menos com Valdemar e seus companheiros que os quelônios podem contar.

Valdemar da Silva Brazão recolhendo os ovos de qulônios para proteger a espécie.
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