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Onde a onça vive, a natureza está equilibrada e por isso é considerada uma espécie essencial para os ecossistemas e um indicador da qualidade ambiental.
A onça-pintada (Panthera onca) é um dos maiores símbolos da biodiversidade brasileira. Maior felino das Américas e terceiro maior do mundo, e exerce papel crucial para manter a saúde dos ecossistemas. Sua presença indica que água, solo, vegetação e fauna de diferentes lugares estão em estado saudável. Além disso é uma espécie predadora de topo da cadeia, exercendo uma regulação natural sobre as populações de suas presas, impedindo que estas causem sobrepastagem ou degradação da vegetação.
Originalmente presente em todo o território brasileiro, a espécie infelizmente foi extinta regionalmente no Pampa, mas ainda ocorre na Amazônia, na Caatinga, no Cerrado, no Pantanal e na Mata Atlântica. Classificada nacionalmente como Vulnerável à extinção (VU) a situação da espécie na Mata Atlântica é bastante crítica. Com aproximadamente apenas 10% de florestas remanescentes, estima-se que existam cerca de 300 indivíduos de onças-pintadas no bioma, por isso no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul sua classificação muda para Criticamente em Perigo (CR) de extinção.
As principais ameaças à conservação e sobrevivência da espécie são:
Perda e fragmentação de habitat — desmatamento, mineração, hidrelétricas e a expansão da fronteira agropecuária reduzem e separam as áreas necessárias para alimentação, abrigo e reprodução.
Caça ilegal — na Mata Atlântica, dados do sistema SALVE/ICMBio indicam que a caça responde por cerca de 60% da perda de onças adultas; a pressão também atinge as presas naturais do felino.
Conflitos com humanos — principalmente por predação de animais de criação; são agravados quando há escassez de presas silvestres e manejo inadequado (ex.: descarte de carcaças).
Incêndios florestais — agravados pela crise climática podem ter impacto direto em biomas como Pantanal, Cerrado e Amazônia, destruindo habitat e elevando a mortalidade.
Atropelamentos — a expansão sem soluções implementadas, como as passagens de fauna e redutores de velocidad em áreas de ocorrência aumenta o risco para a fauna, incluindo grandes felinos.
Redução das presas naturais — O empobrecimento da cadeia alimentar leva a onça a circular por áreas produtivas, como soja, milho e pastagens, em busca de vegetação nativa. Com isso, a predação de gado se torna um problema.
Corredores de Vida: A Força da Conectividade para a Onça‑Pintada
A conectividade ecológica é fundamental para a sobrevivência da onça‑pintada porque garante que os fragmentos de vegetação e as áreas protegidas permaneçam ligados por corredores ecológicos. Esses corredores funcionam como caminhos seguros que permitem que a onça circule para encontrar alimento, abrigo e parceiros. Sem essa conexão, as populações ficam isoladas, o que reduz a diversidade genética e aumenta o risco de extinção local.
Manter paisagens conectadas também fortalece o equilíbrio dos ecossistemas, já que a onça precisa de grandes áreas preservadas para sobreviver. Quando as áreas naturais são fragmentadas por desmatamento, estradas ou incêndios, o deslocamento do animal é interrompido, dificultando o fluxo gênico e diminuindo a saúde das populações.
A conectividade ainda contribui para reduzir conflitos com humanos, pois, em ambientes bem estruturados, a onça encontra mais presas naturais e precisa se aproximar menos das propriedades rurais. Assim, conectar territórios significa proteger não só a onça‑pintada, mas todo o conjunto de espécies que depende de ambientes saudáveis e contínuos
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O QUE ESTAMOS FAZENDO
Diante dos desafios que ameaçam a sobrevivência da onça-pintada iniciativas integradas tornam-se essenciais para proteger habitats, fortalecer populações e reduzir pressões humanas sobre a espécie no Brasil.
Por isso, o WWF-Brasil vem desenvolvendo estratégias de conservação da onça-pintada em parceria com instituições governamentais e não-governamentais em quatro principais eixos de atuação.

Monitoramento e pesquisa
Para proteger a onça, é preciso conhecê-la. Pesquisadores usam armadilhas fotográficas para identificar indivíduos e acompanhar hábitos e tamanho das populações. No Corredor Verde, na Mata Atlântica entre Brasil e Argentina, a população se recuperou de 40 onças nos anos 2000 para cerca de 93 em 2022. Na Amazônia, áreas protegidas mantêm densidades importantes, reforçando seu papel na conservação

Coexistência
Projetos no Pantanal, na Mata Atlântica e na Amazônia reduzem conflitos entre pessoas e onças com manejo adequado e diálogo com comunidades. O Projeto Salvando a Onça-Pintada, na Mata Atlântica, trabalha com fazendeiros para adotar práticas de convivência. Ações como cercas elétricas, iluminação com sensores, fogos de artifício e descarte correto de carcaças ajudam a evitar ataques.

Conservação do Habitat
Sendo uma espécie que percorre grandes distâncias em busca de alimento e refúgio, a criação, manutenção e conectividade entre áreas de conservação é fundamental para sua sobrevivência. Estudos na Amazônia demonstram que Unidades de Conservação (UCs) e Terras Indígenas (TIs) são fundamentais para garantir populações viáveis e saudáveis da onça-pintada a longo prazo.

Colaboração institucional
A conservação depende da união entre ONGs, instituições de pesquisa, sociedade e governo . Projetos como o Salvando a Onça-Pintada e o Plano de Ação Nacional dos Grandes Felinos criam redes de monitoramento e orientam ações para reduzir ameaças. Apesar dos avanços, é essencial manter e ampliar os esforços, combater a caça e garantir corredores ecológicos para a espécie.
Concentramos nossos esforços onde a onça-pintada mais precisa: paisagens fragmentadas e sob forte pressão de caça, especialmente em corredores-chave. Entre 2019 e 2024, em parceria com Instituto Pró‑Carnívoros/Onças do Iguaçu, Instituto Manacá, Instituto Curicaca e CENAP/ICMBio, fortalecemos o combate à caça, engajamos comunidades e estruturamos um monitoramento populacional em rede. O resultado foram quase 2 mil visitas a mais de 250 propriedades, com resposta imediata a predações, reduzindo conflitos e ampliando a tolerância com a espécie. A rede também registrou mais de 50 onças e 40 espécies de mamíferos, alcançando 15 mil pessoas e mais de 15 Unidades de Conservação. Ciência aplicada, presença em campo e confiança com as comunidades sustenta a recuperação e a proteção contínua da espécie, criando bases para populações de onça-pintada viáveis no longo prazo.
Usamos o monitoramento em Unidades de Conservação (UCs) para orientar decisões de proteção. Com apoio do WWF‑Japão e do ICMBio, instalamos dezenas de câmeras em mais de 30 pontos na FLONA do Aripuanã (AM), uma região sob forte pressão do desmatamento, e também em duas áreas preservadas no Amapá: a FLONA do Amapá e o PARNA do Cabo Orange. Em Aripuanã, registramos seis onças e 56 outras espécies, mostrando a UC como refúgio. No Amapá, os dados indicam populações íntegras e indivíduos de grande porte. O próximo passo é manter o monitoramento anual ou bianual e ampliar estudos, garantindo conectividade e eficácia das Unidades de Conservação. Na região sul do bioma amazônico, atuamos com apoio do WWF-UK em ações de monitoramento e de coexistência, com a participação de propriedades rurais e o engajamento de comunidades locais.
Atuamos na promoção da coexistência humano-onça junto a produtores no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul por meio de oficinas, manejo anti‑predação (cercas elétricas, cuidados com bezerros, luz e som dissuasórios) e monitoramento. Para que essas ações ganhem escala, articulamos a Rede Pantaneira pela Coexistência Humano-Onça, unindo entidades e organizações para um planejamento integrado. E por último atuamos na incidência política, defendendo junto com outras organizações a aprovação do PL 4392/2025, que propõe incluir a Bacia do Alto Paraguai.







