O envolvimento dos agricultores surge como ganho maior desses projetos e está espelhado na mudança no perfil dos lotes. Dono de dez hectares no assentamento Cambucaes (RJ), o agricultor Ataliba, pode comparar o estágio de duas agroflorestas em sua terra.

Da mais antiga, já obtém renda com a venda de sementes, café e frutas na feira de Silva Jardim, enquanto vê os pés de pau-ferro, vinhático e jatobá crescerem, podendo escutar o barulho dos bugios no fragmento mais próximo.

Na nova área ainda aguarda o crescimento da pupunha combinada a dezenas de outras nativas e frutíferas. “Mas gosto de plantar sozinho, para depois saber onde está cada coisa”, declara Ataliba.

Sua história vai no caminho inverso da de muitos agricultores que buscam o centros urbanos para melhorar de vida. Antigo morador do bairro da Penha, na cidade do Rio de Janeiro, dedicava-se ao ramo de eletro-eletrônicos.

A violência da capital, despertou o desejo de morar no campo e Ataliba aderiu ao movimento sem-terra, montando um barraco de lona onde hoje está o assentamento. “Foi a melhor decisão da minha vida, ainda faço bicos consertando motores e eletrônicos, mas já cheguei a tirar 1,2 mil reais por mês só com a venda de sementes, produtos agrícolas e mel produzido na propriedade”, expressa.


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