De volta: segunda fase da expedição



03 novembro 2008
Inicia contato mais intenso com as comunidades
© WWF-Brasil / Zig Koch
Por Ana Cíntia Guazzelli

Depois de cinco dias sem textos e dois sem fotos, voltamos com total disposição para relatar os acontecimentos da segunda fase da Expedição Mariuá-Jauaperi, que teve início ontem, dia 2 de novembro.

A maioria das pesquisas realizadas nas ilhas do arquipélago de Mariuá e ao longo do rio Jufari foi exitosa. Os pesquisadores participantes reconheceram a área como de alta relevância para a continuidade dos trabalhos. Eles ressaltaram a importância de outras expedições àquela área, principalmente pelos poucos registros científicos para a região.

Mas, ao contrário do programado, um imprevisto acelerou o término da expedição para todos os pesquisadores: um surto de diarréia acometeu praticamente todos eles, além de seus técnicos. Alguns apresentaram ainda febre e vômito. Esse quadro foi determinante para que as instituições envolvidas na expedição decidissem, coletivamente, pelo retorno antecipado das equipes de pesquisas científicas para Manaus.

A decisão ganhou peso com a piora no quadro clínico da pesquisadora de botânica da Universidade de São Paulo, Vânia Quilhão Pretti. Os barcos estavam ainda no rio Jufari rumando para Moura, no rio Negro, onde receberiam na noite do dia primeiro de novembro novos pesquisadores que integrariam a segunda fase da expedição.

Às 6h30 de sexta-feira, 31 de outubro, saímos eu, Vânia e o piloteiro conhecido como Socó, rumo ao município de Barcelos/Amazonas, de onde ela partiria em caráter emergencial para Manaus, às 16h. O tempo estava fechado e, menos de 15 minutos depois de deixarmos o barco, entramos em uma forte chuva, que nos acompanhou durante as quase quatro horas de viagem de voadeira rio Negro acima. Por cinco vezes, o motor de popa enguiçou, mas não parou.

Em Barcelos, a pesquisadora foi internada no hospital local por algumas horas. O diagnóstico: ameba. Expliquei para o médico o quadro semelhante em que se encontravam os outros pesquisadores, porém sem sangramentos, e coloquei na mochila as caixas de remédios receitados e oferecidos. Com o auxílio das equipes do WWF-Brasil de Manaus e Brasília, Vânia voltou para Manaus em um avião de turismo que, por sorte, partiria às 16h.

E foi praticamente neste mesmo horário que retornei para a voadeira. Socó me aguardava no porto. Depois da notícia de que a viagem duraria cerca de quatro horas até a comunidade de Moura, tentei relaxar. Estava muito cansada principalmente pela tensão do dia todo. Navegamos por cerca de uma hora e, de repente, o motor parou novamente. Desta vez, mesmo com as insistentes tentativas do piloteiro, ele não pegou. A noite se aproximava. Aqui escurece por volta das 18h30. Resolvi remar a favor da correnteza. Quem sabe chegaríamos a algum barco pesqueiro ancorado em uma das várias ilhas daquele lugar. Nada. Cansei e dormi deitada no chão da voadeira. Quando acordei, já estávamos atracados em uma árvore. Socó dormia um sono profundo. Levantei os olhos e agradeci pelo céu forrado de estrelas. A constelação de Órion brilhava bem em cima de nós. Fiquei contemplando aquela maravilha, pensando que tudo poderia ser muito pior se estivesse chovendo...

Continua
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