Onças pintadas encaram bolsista



21 outubro 2008
Campinarana foi palco do encontro com onças
© WWF-Brasil / Zig Koch
Por Ana Cíntia Guazzelli

Você já parou para pensar qual seria sua reação ao se deparar inesperadamente com uma onça pintada* (Panthera onca) em meio a uma vegetação rasteira, na floresta amazônica? E com duas?

“A sensação é indescritível. Não dá muito tempo para pensar. O coração dispara e ao mesmo tempo em que tive vontade de continuar admirando aqueles mamíferos maravilhosos, o instinto me dizia que o melhor era perdê-las de vista o mais rápido possível”. Com estas palavras, o bolsista Kleuton Moraes da Silva descreveu seu inusitado encontro com duas onças pintadas em uma área de campinarana de uma das ilhas do Arquipélago de Mariuá.

Já era final de tarde de um dia bem ensolarado. Na última ilha a ser visitada hoje pela equipe de Botânica, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), que passou mais um dia coletando flores, Kleuton se distanciou dos outros dois pesquisadores e, de repente, avistou em sua frente duas onças pintadas. Uma deitada e a outra em pé, que olhava fixamente para ele. “Comecei a andar para trás, encarando a que estava em pé”. Mas a outra se levantou e, lentamente, começou a caminhar, como se estivesse formando um cerco. “Acho que caminhei por uns 10 metros, mais ou menos”. Os felinos continuavam se movimentando vagarosamente, enquanto ele apressava os passos, de costas.

Para seu alívio, muito provavelmente os animais não estavam famintos e nem se sentiram ameaçados. Deram trégua e tempo para que Kleuton chegasse até os amigos que, apressados, embarcaram na voadeira para novas buscas. Foi esse o assunto da noite e deve ser recorrente durante toda a viagem!

O lamento maior foi do fotógrafo Zig Koch e do cinegrafista Robson Maia, que acompanharam os botânicos praticamente durante o dia inteiro, mas decidiram voltar ao barco pouco antes do encontro inesperado.

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