Belo Horizonte vai em busca do tetra no Desafio das Cidades | WWF Brasil

Belo Horizonte vai em busca do tetra no Desafio das Cidades

19 Janeiro 2018
Com inventários atualizados, estudos de vulnerabilidade e diversas ações de baixo carbono, a capital mineira investe em sustentabilidade

Belo Horizonte tem história no Desafio das Cidades pelo Planeta. Participante desde a primeira versão do concurso no Brasil, a capital mineira venceu as três edições realizadas no país – competindo em seguida com todas as primeiras colocadas nacionais pelo título global. Agora, na edição 2017/2018, mais uma vez reportou suas ações de redução de emissões de carbono e outras estratégias sustentáveis na Plataforma de Registro Climático Carbonn, a ferramenta oficial do Desafio criado pelo WWF com apoio do Iclei (Governos Locais pela Sustentabilidade) para reconhecer os esforços dos governos locais no enfrentamento às mudanças climáticas.   

O investimento em energia limpa permanece como a principal bandeira de Belo Horizonte, com uma usina fotovoltaica em pleno funcionamento no teto do Mineirão, palco da Copa do Mundo FIFA 2014 e estádio onde o Cruzeiro Esporte Clube recebe seus jogos. A lei 10175/11, aliás, determina o uso de placas de painel solar para aquecer a água em todas as novas construções comerciais e residenciais da cidade. A expectativa é reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) em 3.905,5 toneladas de carbono por ano com a medida. 

Mas não é só. O Comitê Municipal sobre Mudanças Climáticas e Ecoeficiência (CMMCE) iniciou a Política Municipal de Mitigação de Efeitos de Mudanças Climáticas em Belo Horizonte em 2006. Com a articulação de políticas públicas e privadas por meio de debates entre representantes dos governos municipal e estadual, cidadãos, sociedade civil, empresas e de academia, trabalha-se atualmente em projetos de saneamento, eficiência energética, energias renováveis e edifícios sustentáveis. 
 
Adicionalmente, a prefeitura realizou estudos de moldagem hidrológica e hidráulica nas bacias como parte do plano de drenagem do município para identificar áreas propensas a inundações e deslizamentos. Criado em 1993, o Programa em Área de Risco Estrutural (Pear) é outro direcionado aos espaços vulneráveis, com objetivo de prevenir acidentes e proteger milhares de famílias. 

Em relação aos espaços urbanos, a iluminação pública ganha atenção especial com o Procel Reluz, programa estabelecido em 2000 pela Eletrobras com apoio do Ministério de Minas e Energia. Com foco na promoção do desenvolvimento de iluminação pública e semáforos eficientes, a Prefeitura de BH espera gerar conscientização no consumo de eletricidade e melhor custo benefício (consumidor/revendedor), além de economia imediata com a substituição de lâmpadas tradicionais por modelos LED. 

Para manutenção do equilíbrio climático urbano, é sempre fundamental a garantia de áreas verdes. Belo Horizonte tem 73 parques municipais, 790 praças e outros 209 espaços públicos arborizados – além das zonas de conservação ambiental, os parques estaduais e as reservas particulares. Ao todo, são 18.22 metros quadrados de área verde por pessoa, totalizando 43,28 quilômetros quadrados. 

Anna Maria Louzada, arquiteta e urbanista da Prefeitura de Belo Horizonte, acredita que o Desafio das Cidades é fundamental para introduzir a agenda de clima na gestão administrativa e já garantiu frutos para BH muito além do reconhecimento. “Com as vitórias no Desafio, conseguimos introduzir dois incisos no Projeto de Lei da Reforma Administrativa falando da necessidade de ter uma coordenação da Política de Enfrentamento às Mudanças Climáticas, subordinada à Secretaria de Meio Ambiente, e de se trabalhar essa coordenação com as redes de cidades”.

Belo Horizonte espera agora, junto às outras 10 cidades brasileiras que participam do Desafio, o anúncio das três finalistas, eleitas por um júri internacional especializado com auditoria terceirizada e independente da Accenture. 

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