setembro, 24 2026
Por Thiago Camara, do WWF-Brasil
A Bahia é a Bahia. Tem florestas de Mata Atlântica conservadas a mais de 500 anos, que ainda existem, resistem e podem ser visitadas. Entre árvores de pau-brasil, bromélias e muitas aves, como a harpia (Harpia harpyja), o passado e o presente do Brasil se conectam no Extremo Sul da Bahia.
Para que mais visitantes e turistas desfrutem de experiências na natureza, o WWF-Brasil com apoio da HP, promoveu um Curso de Comunicação para o Turismo Responsável de 24 a 27 de agosto, em Porto Seguro (BA). O encontro reuniu trinta pessoas entre indígenas, servidores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), guias de turismo, influenciadores para uma formação em busca de potencializar atrativos como trilhas, vivências comunitárias, prática de observação de aves e outros serviços do Roteiro da Grande Mata Ancestral que abrange os Parques Nacionais do Pau Brasil, Histórico do Monte Pascoal e do Descobrimento, respectivamente situados nas cidades de Porto Seguro e Prado.
A realização do curso faz parte do projeto “Soluções baseadas na natureza na Mata Atlântica: proteção e restauração”, uma parceria entre a HP, WWF-Brasil e WWF-US. Entre os participantes, um discurso único: aprendizado. O intercâmbio de experiências e o conteúdo do curso foram os diferenciais durante os dias de aulas. Líder da Aldeia Gurita, em Cumuruxatiba, Piatã Pataxó, acredita que pensar comunicação pode contribuir também para conservação da natureza onipresente na região.
“Hoje em dia nós trabalhamos um turismo de conscientização e por isso foi importante no curso ter nossos parentes [indígenas] e outras pessoas não indígenas para dividirmos esse conhecimento passado no curso. Precisamos passar a nossa visão sobre a conservação da natureza para todos e esses dias serviram para isso”, disse ele.
Dayse Leite, servidora do ICMBio no Parque Nacional do Pau Brasil também aprovou a iniciativa e disse que os conteúdos vieram para somar aos servidores que já atuam com Comunicação.
“A comunicação [de um Parque Nacional] não pode ser amadora. Ainda mais se a gente pensa nesse mundo das redes sociais, que é um mundo totalmente profissional. E se você entra nele de qualquer maneira, você não vai ter resultado. O curso trouxe muitos aprendizados para planejarmos e produzirmos bons materiais", disse ela.
Iamani Ferreira é condutora de visitantes no Parque Nacional Histórico do Monte Pascoal desde os doze anos. Hoje, com 19 segue levando as pessoas Mata Atlântica adentro para, segundo ela, “voltar ao ventre da mãe”.
“Quando você volta de novo para aquele lugar, você se conecta com aquele útero no qual você foi gerado. Eu falo para todos os turistas, se conecte ao máximo com a floresta, para não se enlouquecer dentro da cidade”, diz ela, também indígena Pataxó da Aldeia Pé do Monte.
Apropriada das ferramentas de comunicação, Iamani acredita que o turismo pode ser um canal de difusão da História dos povos originários, sendo narrada por eles mesmo.
“Para mim que trabalho com turismo esse momento é importante pois conseguimos atrair mais pessoas para virem conhecer um pouco da nossa cultura, da nossa história e do nosso trabalho. E o mais importante do curso foi aprender a comunicar melhor com outras pessoas e usar as técnicas do celular para comunicarmos a história real do Brasil contatada pelos Pataxó”, Iamani Silva Ferreira.