setembro, 02 2026
Por WWF e WWF-Brasil
GLAND, Suíça (2 de setembro de 2026) – As temperaturas globais podem atingir um pico de aproximadamente 1,8°C acima dos níveis pré-industriais no cenário mais otimista, segundo um novo estudo. Mas, segundo o WWF, a meta de 1,5°C estabelecida pelo Acordo de Paris continua sendo a referência para a ação climática global. Qualquer ultrapassagem desse limite deve ser mantida no menor nível possível e pelo menor tempo possível.
O mundo já está experimentando um aquecimento de aproximadamente 1,4°C, enquanto comunidades em todo o planeta enfrentam ondas de calor, inundações, secas e perda de ecossistemas cada vez mais severas. Uma ultrapassagem ocorre quando as temperaturas globais sobem temporariamente acima de 1,5°C antes de retornarem a níveis inferiores a esse limite.
Mas a ultrapassagem não representa uma zona segura. Quanto mais as temperaturas aumentam e quanto mais tempo permanecem elevadas, maior é o risco de impactos graves e potencialmente irreversíveis, incluindo a elevação do nível do mar, a perda de ecossistemas, a insegurança alimentar e o alcance de perigosos pontos de não retorno do sistema climático.
No entanto, ultrapassar 1,5°C não deve ser interpretado como motivo para abandonar a meta. É um alerta de que os governos precisam agir de forma mais rápida e ambiciosa para reduzir as emissões, pois cada fração de grau acima desse limite aumenta os riscos para as pessoas, a natureza e as economias.
Um novo relatório do PNUMA sobre como limitar a ultrapassagem afirma que a trajetória de “ultrapassagem, pico e declínio” (overshoot, peak and decline) é a melhor opção ainda disponível para ajudar países e comunidades vulneráveis a enfrentar os impactos e retornar a níveis inferiores a 1,5°C.
Manuel Pulgar-Vidal, Líder Global de Clima e Energia do WWF e Presidente da COP20, afirmou:
“O mundo está perigosamente próximo de ultrapassar o limite de 1,5°C. Mas isso não é motivo para desistir, deve ser um gatilho para a ação. Quanto mais tempo o mundo permanecer acima desse limite, maiores serão os riscos para as pessoas, a natureza e as economias.
O teste político agora é simples: os governos permitirão que o mundo avance para um aquecimento ainda mais perigoso ou agirão em conjunto para manter qualquer ultrapassagem de 1,5°C tão pequena e breve quanto possível? Isso significa planos climáticos nacionais mais robustos, mais financiamento, cortes mais rápidos na poluição e apoio efetivo às pessoas que já enfrentam os piores impactos da crise climática.
A salvaguarda jurídica, moral e científica do mundo continua sendo 1,5°C. Ultrapassá-la, mesmo que por um curto período, demonstraria uma falha em cumprir o que foi acordado, e não seria motivo para enfraquecer a meta. Precisamos reduzir as emissões, não a ambição, e agir mais rapidamente para trazer o aquecimento de volta para abaixo desse limite.”
Stephanie Roe, Cientista-Chefe Global de Clima e Energia do WWF, afirmou:
“Ultrapassar 1,5°C não é um precipício, mas também não é algo inofensivo. Cada fração de grau de aquecimento aumenta os riscos para as pessoas e a natureza, enquanto cada fração de grau que evitamos reduz os danos. O que importa agora é até que ponto as temperaturas subirão acima de 1,5°C e por quanto tempo permanecerão nesse nível.
A ciência mostra que uma ultrapassagem menor e mais curta significa menos impactos sobre os ecossistemas, as comunidades e as economias. Limitar o pico do aquecimento e retornar as temperaturas a níveis mais seguros o mais rapidamente possível pode ajudar a reduzir os riscos, evitar perdas irreversíveis e aumentar a resiliência no futuro.”
Tatiana Oliveira, Líder da Estratégia Internacional do WWF-Brasil, destacou:
“Ultrapassar 1,5°C não significa que o Acordo de Paris perdeu seu sentido. Significa que o custo da demora ficou ainda maior. Cada décimo de grau que conseguirmos evitar representa vidas, territórios e ecossistemas que deixam de estar em risco. O que está em jogo agora não é apenas a temperatura que o planeta atingirá, mas a velocidade da crise climática e nossa capacidade de resposta como sociedade. A ciência já nos mostrou o caminho. O que falta é transformar conhecimento em decisão e decisão em ação.”
Para responder às evidências científicas e minimizar a ultrapassagem de 1,5°C, o WWF, em seu recém-publicado Manifesto de Clima e Energia 2026, pede aos governos que:
- Apresentem planos climáticos mais robustos e os alinhem a mecanismos de implementação que acelerem a redução das emissões.
- Promovam justiça climática aumentando o apoio às comunidades que já enfrentam os impactos da mudança climática.
- Tratem a natureza como um dos pilares de um futuro compatível com 1,5 °C.
- Acelerem soluções escaláveis e de alto impacto.
- Mobilizem e apoiem os agentes responsáveis pela implementação nos territórios, como o setor privado e os governos subnacionais.
Notas para os editores
- A meta de temperatura de 1,5°C estabelecida pelo Acordo de Paris continua sendo a referência para a ação climática. É o limite que o mundo concordou em respeitar porque cada fração de grau acima dele representa um perigo maior para as pessoas, a natureza e as economias, especialmente para aqueles que menos contribuíram para a crise climática.
- Estudos preveem que ultrapassaremos 1,5°C entre 2029 e o início da década de 2030.
- As políticas e ações atuais levam a um aquecimento de aproximadamente 3°C até 2100.
- Se forem plenamente implementados, os compromissos existentes de alcançar emissões líquidas zero e os planos climáticos nacionais poderiam reduzir o aquecimento para aproximadamente 1,8°C.
- Os compromissos assumidos no âmbito do Acordo de Paris já reduziram significativamente a trajetória de aquecimento, que em 2015 era projetada em aproximadamente 4°C.
- As principais questões científicas agora são quão perto podemos permanecer de 1,5°C e com que rapidez podemos retornar a níveis abaixo desse limite depois de ultrapassá-lo.