Negociações de Bonn devem preparar o caminho para que a COP31 entregue ação climática e financiamento

junho, 01 2026

As Reuniões Climáticas de Junho, que serão realizadas a partir do dia 8, na Alemanha, são uma oportunidade crucial para dar o impulso necessário à transição para um futuro de baixo carbono

Por WWF e WWF-Brasil

Bonn, Alemanha (1º de junho de 2026) – Os governos que se reunirão na próxima semana em Bonn para acelerar a ação climática precisam enviar um forte sinal de que estão prontos para passar da deliberação à implementação, afirma o WWF. Todos os olhares estão voltados para saber se os países transformarão suas promessas feitas em Paris em reduções mais rápidas das emissões, maior proteção para as pessoas e a natureza e mais financiamento para onde ele é mais necessário. 

Em meio a um cenário de tensões geopolíticas, iniciativas recentes na Colômbia e nas Nações Unidas enviaram uma mensagem clara: uma ação climática mais forte é tanto urgente quanto possível. 

Na conferência de Santa Marta, na Colômbia, 57 países lançaram uma coalizão para acelerar a transição para o fim dos combustíveis fósseis, levando o debate das promessas para a implementação. 

Na Assembleia Geral da ONU, 141 países apoiaram uma resolução em respaldo ao parecer histórico da Corte Internacional de Justiça sobre o clima, fornecendo orientação política para que os países alinhem suas leis, políticas e cooperação internacional com obrigações climáticas claras. 

Aproveitando esse impulso crescente, os países agora precisam acompanhar o ritmo com planos de transição mensuráveis e capazes de atrair investimentos, colocando o mundo em uma trajetória de baixo carbono. Isso significa uma transição justa, equilibrada e inclusiva para o fim dos combustíveis fósseis, apoiada por financiamento suficiente para impulsionar essa mudança e dar suporte às pessoas e aos países ao longo do processo. 

Também significa fortalecer a resiliência, aprimorar os componentes dos planos climáticos nacionais e apoiar iniciativas lançadas em COPs anteriores, incluindo mapas do caminho para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis e para interromper e reverter o desmatamento. 

Bonn deve preparar o terreno para a implementação na COP31, que será realizada em Antália, na Turquia, em novembro deste ano. No entanto, essa tarefa acontece em um cenário geopolítico fragmentado e sob crescente pressão econômica global, tornando ainda mais difícil alcançar consenso sobre questões críticas. 

Nesse contexto, Manuel Pulgar-Vidal, líder global de Clima e Energia do WWF e presidente da COP20, declarou: 

“A disputa agora não é mais sobre decisões, mas sobre implementação. Os negociadores precisam demonstrar que conseguem superar as pressões globais atuais e responder ao apelo mundial por um futuro seguro e habitável para todos. As negociações climáticas da ONU continuam sendo o principal fórum para definir diretrizes, coordenar ações e responsabilizar os países. Mas coalizões e iniciativas paralelas podem transformar sinais políticos em resultados concretos de forma mais rápida.” 

O WWF destacou áreas prioritárias nas quais o progresso precisa acelerar durante as negociações de Bonn: 

  • Fortalecer os sistemas necessários para implementar a ação climática.  
  • Implementar os indicadores que apoiam as ações de adaptação dos países.  
  • Ampliar e operacionalizar o financiamento climático.  
  • Apoiar mapas do caminho para a transição para o fim dos combustíveis fósseis e para interromper e reverter o desmatamento até 2030.  
  • Garantir que a Agenda de Ação permaneça focada na implementação dos resultados do Balanço Global (Global Stocktake).  
  • Avançar o Acelerador Global de Implementação e a Missão Belém para 1,5°C.  

Dermot O’Gorman, CEO do WWF-Austrália, afirmou: 

“Precisamos manter o impulso para uma transição justa para longe dos combustíveis fósseis, desde Bonn até a COP31. Como futura Presidência das Negociações, a Austrália precisa apoiar a liderança climática do Pacífico e ajudar a manter o mundo alinhado com a meta de estabilizar o aquecimento global em 1,5°C. Agora é o momento de reunir governos, financiadores e comunidades para transformar compromissos em ações concretas para as pessoas e para o nosso planeta.” 

Reforçando a necessidade de transformar compromissos em implementação concreta, lideranças do WWF-Brasil destacam que Bonn será um momento decisivo para restaurar a confiança internacional na agenda climática e acelerar respostas compatíveis com a urgência da crise. 

Mauricio Voivodic, diretor-executivo do WWF-Brasil, salienta: 
“Não existe mais espaço para metas climáticas desacompanhadas de implementação real. O mundo já sabe o que precisa ser feito. O desafio agora é garantir velocidade, escala e justiça na transição. Bonn precisa marcar o momento em que governos deixem de proteger a expansão fóssil e passem a proteger as pessoas, o meio ambiente e a estabilidade climática.” 

Sobre a urgência de ampliar recursos e garantir condições efetivas para implementação nos países em desenvolvimento, o WWF-Brasil destaca a centralidade do financiamento climático nas negociações. 

Tatiana Oliveira, líder de estratégia internacional do WWF-Brasil, alerta: 
“O financiamento climático continua sendo o principal teste de credibilidade da cooperação internacional. Não será possível implementar adaptação, ampliar resiliência ou acelerar a transição justa sem recursos públicos, previsíveis, acessíveis e em escala compatível com a crise. Bonn precisa avançar em mecanismos concretos que garantam que o financiamento chegue aos países e populações que mais sofrem os impactos climáticos sem terem contribuído significativamente para o problema.” 

No campo da mitigação, a organização ressalta que os países precisam elevar a ambição climática com metas consistentes, regras robustas e foco em reduções reais de emissões. 

Alexandre Prado, líder em mudanças climáticas do WWF-Brasil, ressalta: 
“Bonn deve ajudar a construir regras e sinais políticos capazes de acelerar reduções reais de emissões, fortalecendo a implementação de ações robustas de mitigação, como o combate ao desmatamento e a eliminação da produção e do consumo de combustíveis fósseis. Itens importantes da agenda estão diretamente relacionados aos principais riscos e oportunidades para o Brasil, como Agricultura, Sinergia, Transição Justa e Gênero. Contamos que, após duas semanas de negociações, a integridade climática estará no coração do que se espera para Antália, indicando ao mundo como iremos manter nosso planeta com qualidade de vida para as próximas gerações.” 

Em meio a um cenário de tensões geopolíticas, iniciativas recentes na Colômbia e nas Nações Unidas enviaram uma mensagem clara: uma ação climática mais forte é tanto urgente quanto possível
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