abril, 01 2026
Por WWF-Brasil
No dia 30 de março de 2026, o Governo do Estado do Espírito Santo lançou o Plano Estadual de Recuperação da Vegetação Nativa (PERVN-ES), marcando um passo decisivo para consolidar a restauração como política pública estruturante. Alinhado ao Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (PLANAVEG), o plano estabelece diretrizes, metas e instrumentos para promover a restauração em escala no território, com foco em qualidade, permanência e integração entre políticas públicas.
O lançamento representa a transição de uma agenda construída de forma colaborativa para uma nova etapa de implementação estruturada, baseada em governança, articulação institucional e coordenação entre diferentes setores. Nesse contexto, o Espírito Santo se posiciona como uma das primeiras referências no país na operacionalização do novo PLANAVEG em nível estadual.
O PERVN-ES é resultado de um processo interinstitucional que reuniu órgãos públicos, setor produtivo, instituições de pesquisa, sociedade civil e organizações como o WWF-Brasil, que integrou o grupo de trabalho responsável por apoiar a elaboração do plano. A iniciativa responde a um dos principais desafios da restauração no Brasil: a fragmentação de iniciativas e a baixa articulação entre atores.
A estrutura do plano combina quatro estratégias transversais — inteligência espacial e monitoramento, cadeia produtiva da restauração, pesquisa, desenvolvimento e inovação, e financiamento — com diferentes arranjos de implementação que orientam e organizam a atuação do Plano e dos atores responsáveis conforme o tipo de área e suas especificidades. Entre eles, destacam-se ações de regularização e recuperação de áreas protegidas por legislação ambiental, a recuperação de áreas degradadas a partir de sistemas produtivos sustentáveis, como os sistemas agroflorestais, e para recuperação da vegetação em áreas públicas e territórios coletivos.
O secretário de Estado de Meio Ambiente, Felipe Rigoni, ressaltou o caráter estruturante do plano: “Estamos dando um passo decisivo ao integrar ciência, planejamento e políticas públicas em uma estratégia de longo prazo. A recuperação da vegetação nativa não é apenas uma ação ambiental, mas um compromisso com o futuro do Espírito Santo, com a segurança hídrica e com o desenvolvimento sustentável das próximas gerações”, afirmou.
Mais do que ampliar a área restaurada, o plano propõe uma abordagem integrada, que reconhece a restauração como uma agenda transversal de desenvolvimento. Ao conectar clima, biodiversidade, produção de alimentos e segurança hídrica, o PERVN-ES fortalece sinergias com outras políticas públicas e amplia o impacto das ações no território.
A implementação será coordenada por uma instância de governança multissetorial, instituída pelo decreto estadual, responsável por articular diferentes atores e acompanhar a execução do plano. O fortalecimento de mecanismos de financiamento e de uma governança ativa, estruturada e participativa será fundamental para garantir a implementação em escala e a permanência dos resultados ao longo do tempo.
Para o WWF-Brasil, o avanço capixaba representa um passo importante para transformar compromissos nacionais e internacionais em resultados concretos no território.
“O estado do Espírito Santo dá um sinal importante ao estruturar uma política pública de restauração alinhada ao PLANAVEG. Mais do que ampliar áreas restauradas, o estado avança na construção de um modelo que integra governança, financiamento e implementação no território — um caminho essencial para viabilizar a restauração em escala no Brasil”, afirma Gabriela Pereira, analista de conservação do WWF-Brasil.
Mesmo com uma meta inicial de, ao menos, 30 mil hectares para o período de 2026 a 2030, o diferencial do PERVN-ES está em sua abordagem estruturante. Ao estabelecer um modelo robusto de governança, alinhamento multinível e articulação entre políticas públicas e instrumentos financeiros, o plano cria as condições necessárias para acelerar a restauração no médio e longo prazo.
“Em um cenário em que o Brasil busca avançar na meta de restaurar milhões de hectares de vegetação nativa, a experiência do Espírito Santo reforça o papel dos estados como articuladores de políticas, investimentos e atores no território — fundamentais para transformar ambição em implementação efetiva”, finaliza a analista.
Acesse o PERVN ES aqui.