janeiro, 15 2026
Por WWF-Brasil
São reconhecidas como Hotspot de Sociobiodiversidade regiões que abrigam grande variedade de espécies marinhas e também ameaçadas pela ação humana. A Região dos Abrolhos, que vai do Extremo Sul da Bahia ao Norte do Espírito Santo, é considerada o hotspot dos hotspots marinhos do Brasil! Um estudo recente, liderado por pesquisadores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e Universidade de São Paulo (USP) e também de organizações do coletivo Abrolhos para Sempre como Conservação Internacional Brasil, Instituto Baleia Jubarte e Instituto Coral Vivo.
Esta região conta com o Banco dos Abrolhos e o Banco Royal Charlotte, abrange aproximadamente 6.180.000 hectares de ambientes costeiros e marinhos, entre o Extremo Sul da Bahia e o Norte do Espírito Santo. A região inclui estuários, manguezais, gramas marinhas, o maior banco de rodolitos do mundo e os maiores recifes de coral do Brasil que, juntos, formam um centro de biodiversidade marinha único no Atlântico Sul. A região abriga ainda mais de 1300 espécies de animais e algas marinhas, entre as quais pelo menos 134 estão ameaçadas de extinção. Abrolhos é também o maior berçário de baleias-jubarte do Atlântico Sul, que estão presentes anualmente na região de junho a novembro.
O Coletivo Abrolhos para Sempre entrou em campanha para chamar a atenção da sociedade mundial sobre Abrolhos e vem compartilhando um farol de esperança para prosseguir na ampliação das áreas marinhas protegidas e na defesa dos territórios tradicionais das comunidades da região. O coletivo é composto pelo WWF-Brasil, Instituto Baleia Jubarte, Instituto Coral Vivo, Conservação Internacional Brasil, Voz da Natureza, Associação Mãe dos Extrativistas da Resex Canavieiras (AMEX Canavieiras), ArteManha, Associação das Marisqueiras e Pescadores de Belmonte (AMPB), Aliança Futuri e MOVE.
A figura abaixo mostra as Unidades de Conservação (UC) e os principais habitats da região.

Mas, apesar de sua importância, apenas partes dos recifes rasos, fundos arenosos, manguezais e estuários da região estão relativamente bem representados nas áreas protegidas atuais, com vários habitats ainda amplamente desprotegidos como os bancos de rodolitos, as buracas e recifes de média profundidade (mesofóticos). O Coletivo Abrolhos para Sempre segue em busca de mais ampliação e o Projeto Brasil 30x30, liderado pelo WWF-Brasil, vem sendo compartilhado para conhecimento e conscientização coletiva. O objetivo do tratado internacional 30x30 é alcançar a proteção de 30% dos Oceanos até 2030. A proteção da Região dos Abrolhos, pela sua importância para a conservação da biodiversidade marinha no Atlântico Sul, compõe os esforços do Brasil para o alcance desta meta.
A figura a seguir mostra os percentuais das áreas de cada habitat ou ecossistema que faz parte da atual rede de Unidades de Conservação (UC) na região.


Porém, sua diversidade não se limita ao oceano, contando com comunidades locais formadas por pescadores, marisqueiras, quilombolas e povos originários que vivem protegendo a pluralidade local, mantendo os valores e sendo detentores profundos de conhecimentos estratégicos de conservação sustentáveis. Três Reservas Extrativistas Marinhas (Corumbau, Cassurubá e Canavieiras) e um conjunto de Terras Indígenas e Territórios Quilombolas foram criadas para assegurar os meios de vida de uma parte destas comunidades.
Abrolhos é um exemplo onde a Biodiversidade e Sociodiversidade caminham juntos e geram uma grande Sociobiodiversidade, onde a vida marinha e a humana saem ganhando por fortalecerem produtos vindos das comunidades tradicionais, cooperativas, entidades locais, gerando renda e postos de trabalho, valorizando a história, tradição e preservando os mares.
E boa parte da economia da região tem como base essa Sociobiodiversidade. Estima-se que, atualmente, cerca de 11 mil pessoas na região dependem direta ou indiretamente da atividade pesqueira, que gera mais de R$100 milhões anualmente.
Recentemente, a Mission Blue, organização internacional fundada pela oceanógrafa Sylvia Earle em prol da conservação marinha, ressaltou que Abrolhos também é um Hope Spot - título que a região recebeu em 2013. Esses chamados “Pontos de Esperança” são lugares considerados únicos no mundo pela sua extraordinária biodiversidade e é uma das conquistas que o Coletivo Abrolhos para Sempre vem celebrando. Junte-se a essa causa!
A Região dos Abrolhos é um Hotspot de Sociobiodiversidade, merecendo atenção especial da sociedade para ser protegida e conservada, mantendo de forma saudável e duradoura a natureza e as pessoas que vivem dela e para ela.