Acre tem recorde de queimadas e fumaça toma o céu de Rio Branco

07 setembro 2022


Por WWF-Brasil

A fumaça das queimadas cobriu o céu da cidade de Rio Branco, no Acre, nos primeiros dias de setembro. Só ontem, 6 de setembro, 95 focos de queimadas foram registrados na cidade pelo Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Entre 1 e 6 de setembro, o Acre teve 2.681 focos de queimadas, sendo 267 na capital. É o maior valor desde 2003, tanto para o estado como para a capital.

Nos primeiros seis dias de  setembro de 2022, o número de focos de queimadas no Acre foi 380% superior à média dos 10 anos anteriores (558 focos) nesse período. Em Rio Branco, o número de focos no período é 551% superior à média dos 10 anos anteriores (41 focos).

No dia 6 de setembro, o nível de poluição do ar em Rio Branco era de 225 microgramas por metro cúbico - um valor quase 10 vezes maior que o máximo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Com isso, a cidade atingiu o nível de Alerta na Saúde na escala da Rede de Monitoramento da Qualidade do Ar do Acre, coordenado pelo Ministério Público do Acre (MPAC).

De acordo com o Corpo de Bombeiros do Acre, incêndios na Rodovia Transacreana, na zona rural de Rio Branco, destruíram 100 hectares de matas desde 31 de agosto, atingindo também cerca de 20 hectares de florestas que haviam sido plantadas há mais de 30 anos no Centro de Formação dos Povos da Floresta da Comissão Pró-Índio do Acre (CPI-AC).

Amazônia em chamas
O número de queimadas na Amazônia Legal, que em agosto já havia sido o maior dos últimos 12 anos, ficou totalmente fora de controle em setembro. Nos primeiros seis dias de setembro, o bioma já tinha 16.698 focos de incêndio detectados pelo INPE. O aumento é de 533% em relação ao mesmo período de 2021, quando foram detectados 2.638 focos.

De acordo com Mariana Napolitano, gerente de Ciências do WWF-Brasil, a explosão do número de queimadas na Amazônia em setembro de 2022 tem relação direta com o desmatamento e a degradação florestal no bioma. “Na Amazônia, as queimadas são o último estágio do desmatamento e estão fortementente associadas à grilagem, invasão e ocupação ilegal de terras públicas”, declarou. Segundo ela, nos primeiros seis dias de setembro, o número de focos já é praticamente igual ao de todo o mês de setembro de 2021, quando foram detectados 16.742 focos de calor.

“As queimadas impactam diretamente os animais e a vegetação, tornando as matas mais degradadas e mais secas e aumentando a mortalidade das árvores. Impacta também a saúde da população da região que sofre com a poluição do ar, sobrecarregando o sistema de saúde pública. Precisamos urgentemente reativar as ações de comando e controle que protegem as  florestas e as pessoas”, afirmou Napolitano.


Só no dia 4 de setembro foram 3.393 focos, o maior número registrado pelo INPE em um único dia desde 2007. Antes disso, o recorde havia sido registrado em 22 de agosto, quando foram registrados 3.358 focos.

O número de incêndios em 4 de setembro foi mais de 43% maior do que no chamado “Dia do Fogo”, em 11 de agosto de 2019, quando foram registrados 2.366 incêndios na Amazônia após a união de agricultores para organizar as queimadas, ao mesmo tempo , de um elevado número de pastagens e áreas em diferentes estágios de desmatamento.

Em 5 de setembro, satélites detectaram uma nuvem de fumaça sobre a Amazônia que já se estendia por mais de 5 milhões de quilômetros quadrados, abrangendo os estados do Amazonas, Pará, Mato Grosso, Rondônia, Roraima e Acre, além de atingir países vizinhos. A previsão era de que a nuvem de fumaça chegasse no dia 7 de setembro aos estados das regiões Centro-Oeste e Sudeste.

Em agosto, o INPE já havia registrado o maior número de focos de incêndio do mês nos últimos 12 anos na Amazônia: foram 33.116 focos de incêndio, o maior número desde 2010.
 
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