Oceano ganha força na COP30 e impulsiona agenda climática global

novembro, 28 2025

Avanços em Belém integram o Oceano ao regime climático e fortalecem ações para redução de emissões e adaptação

Por Marina Corrêa, ponto focal da agenda de Oceano no WWF-Brasil

A COP30 deu novo fôlego à agenda oceano–clima ao reconhecer o papel central do oceano na resposta global à crise climática. A Cúpula de Líderes, pela primeira vez na história da UNFCCC, destacou como soluções baseadas no oceano — como a restauração e conservação de recifes de coral e manguezais e o manejo sustentável das zonas costeiras e marinhas — podem contribuir para reduzir emissões, ampliar a adaptação e fortalecer a resiliência de comunidades costeiras. A Enviada Especial para Oceanos reforçou essa visão ao defender que o tema seja plenamente integrado ao processo climático multilateral. 

Esse impulso político se conectou a novas iniciativas globais, como o Desafio das NDCs Azuis e sua força-tarefa de implementação, que apoiarão países a transformar compromissos em ações concretas. Ao mesmo tempo, elementos centrais do Acordo de Paris avançaram durante a COP30: o texto do Mutirão incluiu uma referência ao papel do oceano; indicadores da Meta Global de Adaptação passaram a contemplar dimensões costeiras e marinhas; e o Comitê Permanente de Finanças confirmou que dedicará seu próximo fórum ao financiamento oceano–clima. Também houve progresso em discussões de mitigação, com maior reconhecimento do potencial dos manguezais, e a indicação do roteiro para eliminação gradual dos combustíveis fósseis, e cresceu o número de países incluindo soluções baseadas no oceano em suas NDCs. 

A Agenda de Ação da COP30 também apresentou resultados tangíveis. O lançamento do Pacote Azul criou um espaço permanente de coordenação entre governos, setor privado, ciência e sociedade civil — um verdadeiro “mutirão azul”. Iniciativas de conservação e restauração de recifes de coral, manguezais e marismas ganharam novo fôlego; foi consolidado um painel para acompanhar o progresso global das ações oceânicas; e houve reforço ao papel das áreas marinhas protegidas e das ações lideradas localmente por comunidades indígenas e tradicionais, essenciais para a governança e a implementação de soluções baseadas no oceano. 

O Brasil desempenhou um papel decisivo ao longo de todo esse processo, liderando a agenda oceano–clima pelo exemplo. Da presidência do G20 à COP30, o país ajudou a conectar a ambição climática global à governança oceânica sustentável. A adesão do país ao Painel de Alto Nível para uma Economia Sustentável do Oceano e a ratificação da BBNJ, evidenciam ainda mais sua liderança e seu compromisso com uma governança oceânica moderna e baseada na ciência. A sociedade civil também teve participação fundamental — especialmente com o lançamento da Coalizão Brasil pelos Corais, iniciativa do WWF-Brasil e do Grupo Boticário, que reúne instituições científicas, organizações e esforços de engajamento público para proteger o único sistema recifal do Atlântico Sul, além da atuação da Coalizão COP Mar. Essas mobilizações reforçam o compromisso do Brasil em integrar soluções baseadas no oceano em sua NDC e se alinham ao espírito colaborativo do mutirão azul internacional, reforçando que não há implementação sem participação social e equitativa.  

O impulso gerado em Belém mostra o que é possível quando vontade política, ciência e sociedade avançam na mesma direção. Embora tenha havido lacunas importantes nos textos negociados e, principalmente, em termos da participação real dos povos do mar, a COP30 demonstrou que incorporar a agenda oceano–clima à arquitetura global do clima é não apenas viável, mas urgente.  

À medida que o mundo avança rumo à COP31, o caminho é acelerar a ação, elevar a ambição e reconhecer, no âmbito da UNFCCC, que muitas das soluções climáticas estão no sistema que cobre 70% do planeta: o oceano. As decisões tomadas agora moldarão não apenas a resiliência dos ecossistemas costeiros e marinhos e dos países que deles dependem, mas também o futuro da humanidade — tornando este momento não apenas uma oportunidade, mas uma responsabilidade compartilhada. 

A COP30 reforçou a agenda oceano–clima, reconhecendo o papel do oceano na resposta à crise climática. Pela primeira vez na UNFCCC, a Cúpula de Líderes destacou soluções baseadas no oceano — como conservação de recifes e manguezais e manejo sustentável costeiro — para reduzir emissões, ampliar a adaptação e fortalecer a resiliência de comunidades costeiras
© Luc Mauduit / WWF-França
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