WWF: negociações de Durban são oportunidade para passar do discurso à prática

novembro, 26 2011

As negociações sobre mudanças climáticas da Organização das Nações Unidas que começam na segunda-feira (28) representam uma oportunidade única para que os líderes do mundo deixem de lado o mero discurso político e estabeleçam as fundações de um acordo climático global ambicioso.
Durban, África do Sul: As negociações sobre mudanças climáticas da Organização das Nações Unidas que começam na segunda-feira (28) representam uma oportunidade única para que os líderes do mundo deixem de lado o mero discurso político e estabeleçam as fundações de um acordo climático global ambicioso.

As negociações de clima estão numa encruzilhada, e os governantes têm muito trabalho a fazer em Durban se quiserem que o mundo acredite que estão seriamente comprometidos com o combate às perigosas mudanças climáticas, afirmou hoje o WWF.

Antes do início das negociações, Samantha Smith, líder da Iniciativa Global Clima e Energia do WWF, afirmou:

"As mudanças climáticas são uma ameaça global que torna as fronteiras e a política irrelevantes – é necessária uma resposta conjunta por parte dos governos do mundo. Neste momento, o relato do agravamento dos desastres naturais causados pelas mudanças climáticas ocupará as páginas dos livros de história como o resultado de ambições frustradas, falta de visão de longo prazo e falta de coragem por parte dos líderes mundiais para lidar com essa ameaça.

Os governos precisam reescrever essa história e precisam começar a fazer isso em Durban.

A emissão de gases de efeito estufa atingiu um recorde em 2010. O mundo atualmente está a caminho de elevar a temperatura global acima do perigoso limite de 2oC, com consequências catastróficas. Com base em dados científicos sólidos, o WWF está pressionando por um pico de emissões seguido por declínio em 2015, o que é fundamental para que tenhamos a chance de manter o aquecimento global aquém dos 2oC.

Isso significa que em Durban os líderes têm uma escolha. Eles podem avançar os progressos alcançados nas negociações de clima do ano passado em Cancun e agir de forma a prevenir que as mudanças climáticas fiquem fora de controle. Ou eles podem permitir que interesses nacionais de curto prazo nos levem a um caminho perigoso.

Os custos das mudanças climáticas são altos socialmente, ambientalmente e economicamente. Eles vão aumentar a cada vez que postergarmos a ação. Mas a solução da crise climática não passa somente pela redução de emissões. Nós podemos levar o mundo a um novo e seguro caminho para o desenvolvimento. Esse caminho inclui energia nova a renovável, empregos verdes, menos pobreza e o uso mais sustentável de nossos recursos naturais. Está a nosso alcance: um futuro mais seguro, no qual as pessoas vivem em harmonia com a natureza e têm amplo acesso a comida, água limpa e fontes confiáveis de energia".

Tasneem Essop, líder de advocacy para o clima do WWF, afirmou:

"Aqui na África, os impactos das mudanças climáticas já são muito reais para as pessoas. Nós precisamos que os líderes se deem conta de que eles estarão tomando suas decisões no solo africano. Eles devem entender que estamos num momento crítico: o mundo está esperando que eles nos deem certeza sobre o futuro do Protocolo de Quioto e um novo regime climático global".

O que o WWF espera de Durban:
  • Manter o progresso que foi feito nas negociações de clima até agora. Os acordos de Cancun devem ser implementados.
  • Compromisso com um segundo período do Protocolo de Quioto. O primeiro período de compromisso se encerra em 2012.
  • Estabelecer as fundações para a negociação de um acordo com força de lei que inclua todos os países até 2015.
  • Identificar fontes de financiamento de longo prazo necessárias para cortar emissões e pagar pelas urgentes ações de adaptação aos impactos das mudanças climáticas.
  • Usar a oportunidade da COP 17 para aumentar a ambição de cortar as emissões de gases de efeito estufa.
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