COP15: está faltando ambição



18 dezembro 2009    
Kim Carstensen faz um balanço preocupante sobre as negociações na reta final da COP-15
Kim Carstensen faz um balanço preocupante sobre as negociações na reta final da COP-15
© WWF / Richard Stonehouse

O líder da Iniciativa Global da Rede WWF para Mudanças Climáticas, Kim Carstensen, fez, hoje (18/12), um balanço das negociações de Copenhague, até o momento. Segundo Carstensen, existem diversos textos nas mesas de negociação e ainda mais rascunhos sempre surgem ao longo do dia. Entretanto, ele acredita que nada, até o momento, chegou próximo ao nível de ambição necessário para que se chegue a um bom acordo, principalmente em áreas como a natureza legal do acordo, metas de redução de emissões, apoio financeiro a países desenvolvidos.

“Embora os rascunhos existentes contenham expressões vagas sobre a necessidade de garantir um aumento de temperatura abaixo dos 2o C, pouco foi detalhado sobre como isto seria garantido, disse o líder”.

Mais ambição - Kim Carstensen avalia que parece estar enfraquecendo a vontade da União Européia (UE) em reforçar suas ações perante as mudanças climáticas, ampliando a redução de 20 a 30% em suas emissões, em relação a 1990. “É uma verdadeira decepção, visto que a ciência preconiza uma redução em 40% nas emissões dos países desenvolvidos. Pedimos que aqueles países da UE mais visionários apresentem imediatamente metas mais ambiciosas”, apelou.

“A China também precisa demonstrar mais ambição. Temos razão para acreditar que isto esteja acontecendo, já que Wen Jiabao, primeiro-ministro chinês, afirmou que os compromissos internos atuais do país seriam atingidos sem a necessidade de ajuda externa”. Carstensen lembrou que o líder chinês também destacou a possibilidade de fortalecer ações de redução de emissões e questões ligadas à transparência, enquanto a Índia reforçaria suas ações perante o clima caso recebesse apoio externo.

“Chefes de Estado precisam aproveitar a oportunidade que ainda existe para finalizar um acordo ambicioso em Copenhague, evitando, assim, um futuro perigoso de grandes emissões de gases de efeito estufa”, completou.

Pico - Kim Carstensen destacou que é necessário estabelecer um ano definitivo para que as emissões mundiais atinjam seu pico e, depois, sejam reduzidas consideravelmente.

“Também precisamos de fontes claras de recursos financeiros para mitigação e adaptação em países em desenvolvimento. Finalmente, precisamos garantir que qualquer acordo assinado passe por uma avaliação científica oficial a partir de 2014”.

Kim Carstensen faz um balanço preocupante sobre as negociações na reta final da COP-15
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