Começam as reuniões do IPCC em Bruxelas



03 abril 2007
O ano de 2005 bateu o recorde no registro de furacões e tempestades tropicais violentas ao redor do globo.
© WWF / Michel GUNTHER

Foi, digamos, um sufoco, chegar até Bruxelas... uma seqüência de cancelamentos, atrasos e overbooking!!!! Impossível não comentar... muito difícil de explicar e ser entendido!

Em fim... depois de ver o caos aéreo em Brasília, virar a madrugada de sexta para sábado no aeroporto, embarcar no sábado ao meio dia para Recife, passar por um overbooking no vôo para Lisboa, que finalmente saiu no domingo à noite com duas horas e meia de atraso – claro que perdi minha conexão em Lisboa para Bruxelas - e mais 4 horas de espera no frio aeroporto de Portugal, finalmente cheguei ontem à tarde a Bruxelas.

A saída por Recife foi uma tentativa de economia de horas voadas e, portanto, de combustível. Uma tentativa de diminuir o impacto climático de minha viagem. Mas o curioso é que a economia de horas voadas, neste caso quase 3 horas a menos, não se reflete em economia financeira nas passagens aéreas.

Tenho duas missões por aqui. Uma delas é ajudar a monitorar as discussões do II Grupo de Trabalho do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima), e “traduzir” para nosso site tais negociações. Entretanto, estas reuniões são fechadas e a rede WWF tem apenas uma colega como observadora neste processo e conversamos no período da tarde!

Ontem por exemplo, dois pontos foram importantes na reunião, o primeiro foi a forte mensagem de abertura dada pela União Européia, direto para os Estados Unidos. Os europeus foram muito contundentes a respeito da necessidade em tempo dos americanos serem mais sérios e embarcarem nas discussões sobre clima. O outro ponto foi sobre qual linguagem adotar para explicar o tamanho do impacto sobre agricultura, principalmente nas culturas de arroz, na China e de milho e trigo, na Índia. As negociações seguem hoje.

Projetos da rede WWF

Minha outra missão é participar de uma série de reuniões para estruturar um projeto que será desenvolvido no Brasil, na China, Índia e África do Sul pela rede WWF. Chamamos pelo nome de SNAPP e estamos discutindo como podemos ajudar a criar o debate sobre as negociações de clima pós-2012 ou ampliá-lo. Não só parece complicado, como é mesmo!

Estamos em uma série de reuniões, somente hoje foram 4: com o Centro Europeu para Pesquisa em Políticas Ambientais; com uma consultoria onde discutimos as ligações entre os diferentes mercados de carbono; com o setor privado, discutindo o papel das empresas e possíveis caminhos para análises setoriais (cimento, transporte, etc..) de emissores de carbono.

Neste momento, estou no meio do intervalo de uma reunião na Comissão Européia (CE), setor de Meio Ambiente, entendendo quais as políticas da CE para China, Índia e Brasil... e adivinhem: nós, brasileiros, somos, sem dúvida, os que menos têm políticas de cooperação e, portanto, menos recursos sendo investidos em pesquisa tecnológica, energia e eficiência energética. Há tentativas de construção de agenda de cooperação, mas estamos bem atrás dos 40 milhões de euros sendo investidos em 4 anos para a cooperação com a China, no que se chama por aqui de Climate Change and Energy Partnership!

Claro que o mais difícil aqui é realmente “traduzir” todo este conteúdo, linguagem técnica e de negociação para uma simples página de word. Mas o jeito é tentar. Espero que não tenha "falado grego"!

Mais tarde seguem notícias do IPCC!!!


O ano de 2005 bateu o recorde no registro de furacões e tempestades tropicais violentas ao redor do globo.
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