Ministra comparece ao Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas



17 novembro 2006
Foto histórica para nossa equipe: Mauro Armelin, do WWF-Brasi, ministra Marina Silva, e Karen Suassuna, do WWF-Brasil, na plenária da ONU
© WWF-Brasil

Por Karen Suassuna

Parece que parou de chover um pouco por aqui, as manhãs são cinzas, meio friazinhas... O café da manhã de casa começa a dar saudades, sem falar da família... Já são 14 dias longe das risadas infantis que enchem a nossa sala no WWF-Brasil. Mas, de qualquer forma, “já que tá que fique”, como diriam os colegas piracicabanos! E ainda tem um pouquinho de gripe para temperar!

Mas agora vamos falar de COP. As negociações continuam e o Brasil deu sinais de que se alinha com a proposta dos países africanos para fazer uma revisão rápida do Protocolo de Quioto, o tal artigo 9.

A revisão apontaria para a importância do Protocolo de Quioto para lidar com as mudanças climáticas e, principalmente, na redução de emissões dos países em desenvolvimento, mas aponta também para a deficiência no que se trata da falta de projetos de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) na região africana, falta de políticas e ações na área de adaptação. Aponta ainda para um escopo do que seria a segunda revisão, envolvendo temas como MDL, aviação entre outras. Porém, a lista ainda não está terminada e a resolução ainda não aprovada. Arábia Saudita e Índia são contrárias à revisão.

O artigo 3.9, aquele que trata da revisão das metas dos países desenvolvidos, foi aprovado um plano de trabalho para discussão destas metas.

De qualquer forma, parece que vemos progresso, mas precisamos de um acordo feito até, no máximo, 2008, o que chamamos de mandato. Só então podemos iniciar os processos de ratificação pelos países. Precisamos mandar duas mensagens claras para o mundo:

• Haverá reduções profundas e ambiciosas nas emissões dos países desenvolvidos
• Este acordo deve ser feito no máximo até 2007.

Não olhar para esta data, 2007, significa não mandar um sinal claro de compromisso para o mercado de carbono, peça chave na mitigação dos gases do efeito estufa. O mercado precisa destas mensagens para continuar operando e colaborar para a redução das emissões e colaborar para o desenvolvimento sustentável nos países em desenvolvimento.

Um ponto importante no qual esperamos ver avanços no próximo ano é em relação aos incentivos positivos para redução de emissões em países em desenvolvimento. O Brasil chutou a primeira bola com a proposta brasileira para o desmatamento, mas precisamos avançar nesta discussão, dentro do país e internacionalmente!

Agora, neste momento estamos numa reunião do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, com a presença da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.

Nesta COP, a ministra Marina se sentiu na obrigação de falar, mas neste evento se sentiu na obrigação de ouvir!

Segundo ela, o Brasil tem cuidado com aqueles que não tem uma agenda negativa, mas é uma boa companhia, e temos trabalhar para que esta boa companhia possa se refletir naqueles que, por responsabilidade histórica, não conseguiram evoluir.

Sobre a proposta brasileira, Marina afirmou que o Brasil está pedindo compensação positiva, mudando o modelo. “Mas mudar o modelo custa caro. Apostamos no constrangimento ético, na mudança de padrão da agricultura brasileira, padrões sociais. E tudo isso tem custo”, disse a ministra.

Na avaliação da ministra, onde o Brasil tem grandes problemas é no desmatamento. “Por isso, as propostas têm de consolidar o processo e fluir mais adiantadamente em termos políticos na relação com os demais países”, finalizou ela.

Foto histórica para nossa equipe: Mauro Armelin, do WWF-Brasi, ministra Marina Silva, e Karen Suassuna, do WWF-Brasil, na plenária da ONU
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