Ânimos esquentam no Quênia



13 novembro 2006
Plenária da ONU onde são feitas as negocições
© Karen Suassuna / WWF-Brasil

Por Karen Suassuna

As primeiras páginas dos jornais Quenianos estão ilustradas por várias fotos das enchentes que atingem as fronteiras entre o país e a Tanzânia. Mais de dez mil toneladas de chá para exportação estão prezas por que as estradas foram bloqueadas devido às chuvas. Milhares de famílias caminham com suas sacolas e estão desabrigadas.

Estes são alguns dos sinais das mudanças climáticas enviados como alerta aos países que estão neste momento em negociações.

Mesmo com estas manchetes de capa, as negociações parecem não evoluir. Um grupo de países parece estar atrasando ao máximo a elaboração de um Plano de Adaptação de cinco anos que poderia colocar uma luz em problemas como estes que ilustram as primeiras páginas de hoje por aqui. Coincidência ou não, eles são exatamente os que mais têm recursos para refazer estradas, mudar gente de lugar, reconstruir tudo, ou seja, se adaptar às mudanças climáticas. Mas os países em desenvolvimento estão unidos em torno desta questão.

Já com relação a outro tópico polêmico, a inclusão de CCS (Carbon Capture and Storage) dentro do MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), parece não haver acordo para uma posição do G77. O encaminhamento desta tarde foi para que a Índia, país que coordena o grupo de trabalho nesta questão dentro do G77, fizesse um texto que pudesse dar encaminhamento. Os Sauditas querem de qualquer maneira que o CCS seja colocado dentro do MDL. Já os Países Menos Desenvolvidos (LSD - Less Developed Countries), a AOSIS (Association of Small Island State) e vários outros, entre eles o Brasil, são ferozmente contrários. A Índia tem um trabalho difícil. Mas, aparentemente, a saída que está se desenhando é um plano de trabalho para discussões ao longo do próximo ano.

E discussões e caminhos são o que não faltam. Na consulta informal de hoje de manhã sobre o processo de revisão das metas para os países desenvolvidos foi cogitada uma revisão, mas sem tocar no delicado assunto que é a linha de diminuição constante das emissões dos países desenvolvidos ser mantida para o próximo período de compromisso do Protocolo, que começa em 2012.

Pelo visto, ainda há muito a se discutir por aqui.

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