Para entender um pouco mais do que está acontecendo por aqui



09 novembro 2006
Cop de Clima em Nairóbi, no Quênia
© Mauro Armelin / WWF-Brasil

Por Karen Suassuna

A linguagem da COP é complicada, cheia de artigos, siglas e diferentes discussões, mas em linhas gerais estamos discutindo alguns pontos essenciais como adaptação e o Fundo de Adaptação, Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) e seu futuro, os novos compromissos para os países desenvolvidos (artigo 3.9 do Protocolo de Quioto) e a revisão da implementação do Protocolo de Quioto (Artigo 9).

Na área de adaptação está sendo discutido um plano de trabalho para cinco anos e devem ser ressaltadas as políticas e ações que precisam acontecer para lidarmos com adaptação às mudanças do clima.

No MDL, vários eventos paralelos estão acontecendo e um relatório das atividades sobre os projetos está sendo apresentado. Duas questões que podem modificar o MDL foram apresentadas e estão sob discussão. Uma delas é a Captura e Estoque de Carbono (ou CCS), isto é, capturar o gás CO2 de processos industriais e injetá-lo em formações geológicas antes utilizadas para armazenamento de petróleo ou em aqüíferos profundos ou em águas salinas de alta profundidade. Essa tecnologia está ainda em fase de avaliação pelas grandes empresas que fazem extração de petróleo, e apresenta um potencial para lidar com as emissões dos combustíveis fósseis para energia até que se substitua a matriz. Mas daí a colocar este tipo de investimento dentro do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo há uma enorme diferença. O Brasil e uma série de países são contrários à idéia. Já a Arábia Saudita defende com rigor tal inclusão.

A segunda questão foi a abordada pelo Mauro, tratando da produção de HCFC e geração de créditos de carbono pela queima do gás do efeito estufa CFC23, que vale mais do que o próprio produto. Um incentivo perverso a produção de um gás que deveria ser substituído.

Na área de novos compromissos para países desenvolvidos, como prevê o artigo 3.9 do Protocolo de Quioto, os países devem sair daqui com um plano de trabalho claro, estabelecendo como se darão as discussões das novas metas destes países no próximo ano. Estas discussões devem acontecer entre esta COP e a próxima.

Em 2008, esse processo deverá trazer números concretos de redução. A União Européia apresentou, num seminário na terça-feira, a proposta de abordagem de manter o aumento da temperatura média global abaixo dos 2º. C. Isso requereria um corte mínimo de 30% nas emissões domésticas dos países desenvolvidos até 2030, chegando a 60-75% em 2050. Além de compromissos e contribuições dos países em desenvolvimento para atingir tal meta. O WWF e as demais organizações não governamentais em geral apóiam esta idéia, pois seria a única forma de evitarmos danos irremediáveis ao planeta.

Já o Artigo 9 promove a revisão da implementação do Protocolo de Quioto para ajustes do processo de implementação do protocolo desde a sua ratificação e diz também que essa revisão deverá acontecer na segunda Conferência das Partes do Protocolo (COM/MOP2), que é esta. Mas esta revisão não deve ser usada para abrir os compromissos dos países desenvolvidos, mas sim para corrigir o que não está caminhando bem.

Será que ajudou a traduzir a linguagem da COP??? Espero que sim!!!

Cop de Clima em Nairóbi, no Quênia
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