Cadeia produtiva da madeira é tema de seminário em Lábrea, no sul do Amazonas



08 outubro 2013    
Toras de madeira na fazenda São Jorge, Acre, Brasil.
Toras de madeira na fazenda São Jorge, Acre, Brasil.
© WWF-Brasil / Juvenal Pereira
Com o objetivo de mapear a indústria madeireira de Lábrea, cidade situada a 702 quilômetros de Manaus, no Amazonas, o WWF-Brasil - em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal do Amazonas (Idam), o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IIEB) e a Igreja Católica - realizou nas últimas semanas uma “oficina de mapeamento” naquele município.
 
O evento teve como propósito identificar os principais atores sociais da cadeia produtiva da madeira, além de refletir sobre seus pontos fortes, fraquezas, potencialidades, problemas e sugerir propostas de melhoria para o setor.

Além disso, foi feita uma grande reflexão sobre como seria possível aliar o uso sustentável dos recursos florestais (madeira, copaíba, borracha e açaí, por exemplo) com a conservação da biodiversidade da região. Outro tema de debates foi a criação de uma alternativa econômica para as famílias e comunidades rurais de Lábrea – hoje muito dependentes da indústria madeireira.

A oficina contou com aproximadamente 30 pessoas. Participaram diversos atores sociais do município: moveleiros, pequenos industriários, detentores de Planos de Manejo, vereadores, representantes da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, universitários, representantes de instituições parceiras e membros de associações e cooperativas de extração de madeira.

Papel fundamental 

Durante o seminário, que durou dois dias, o consultor responsável, Antonio Ferré, apresentou uma ferramenta chamada “Cadeia de Valor da Madeira”, que ajudou os presentes a visualizar as potencialidades do setor no município. Os participantes tiveram papel fundamental também no momento de levantar possíveis soluções e saídas para os problemas enfrentados por eles (distância de grandes centros, alto índice de ilegalidade, pouco suporte dos órgãos públicos, entre outros). 

As reflexões ocorridas durante esses dois dias serão compiladas num estudo a ser apresentado pelo WWF-Brasil e o Idam em novembro, durante um seminário de política florestal que ocorrerá em Manaus. 

Além de Lábrea, também constarão neste estudo os municípios de Apuí (que recebeu seminário semelhante em maio) e de Tefé, Manacapuru e Boa Vista do Ramos (onde eventos similares já estão programados para ocorrer ao longo deste mês).

“Experiência muito rica”

O assistente de campo do IIEB, Marcelo Franco, fez vários elogios à oficina. “O mais interessante foi o fato de que vários atores da cadeia produtiva da madeira participaram deste evento. Tivemos no encontro vereadores, técnicos da prefeitura, representantes de povos indígenas e pequenas associações. A troca de experiências entre pessoas tão diferentes foi muito rica”, afirmou o especialista.

Marcelo disse também que a oficina serviu como “impulso” e “injeção de ânimo” numa mobilização que já existe em Lábrea, formada por atores sociais daquela cidade que integram um grupo temático que discute os entraves da indústria madeireira naquele local.

“Por meio da oficina, vimos também o quão frágil é este setor hoje. Estamos muito atrasados e ainda precisamos fazer muita coisa antes de termos um mercado sustentável, lucrativo e rentável para as famílias produtoras”, declarou Franco.

Dificuldade do poder público

O analista de conservação do WWF-Brasil, Marcelo Cortez, também viu pontos positivos na programação. “Estamos conseguindo levantar os problemas e oportunidades do setor madeireiro de cada município, além de perceber que, em cada cidade, os próprios atores sociais se mobilizam para resolver seus problemas”, disse.
 
Segundo Marcelo, as oficinas têm mostrado também a dificuldade que o Estado do Amazonas tem para atender seus municípios no que diz respeito ao apoio ao setor florestal - e reafirmado a importância que este tema possui: “É preciso que a discussão sobre a madeira entre na pauta imediata do Governo”, afirmou o especialista.

Madeira sustentável

O seminário ocorrido em Lábrea faz parte de um projeto maior, desenvolvido pelo WWF-Brasil, em parceria com a Rede Amigos da Amazônia (RAA), entidade ligada à Fundação Getúlio Vargas (FGV), e a Comunidade Europeia. 

Este projeto é intitulado “Governança Florestal e Comércio Sustentável da Madeira Amazônica” e tem como objetivo aumentar, até 2015, em 15% o volume de madeira sustentável comercializada nos mercados nacional e internacional.
 
Para isso, os responsáveis pelo projeto buscam implementar, juntos às cidades, estados e a União, políticas e procedimentos que regulem a produção e comércio deste recurso. As atividades incluem, entre outras, capacitação de produtores, mobilização de grandes construtoras para compras sustentáveis e realização de eventos onde é possível discutir os entraves e dificuldades encontrados neste setor

É possível saber mais sobre o projeto clicando aqui.
 
Toras de madeira na fazenda São Jorge, Acre, Brasil.
Toras de madeira na fazenda São Jorge, Acre, Brasil.
© WWF-Brasil / Juvenal Pereira Enlarge
Oficina juntou diferentes atores sociais para discutir problemas comuns
Oficina juntou diferentes atores sociais para discutir problemas comuns
© Divulgação / Idam -Lábrea Enlarge
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