Contato com a natureza ajudou as crianças a passarem pela pandemia com mais saúde e bem-estar



06 dezembro 2021    
Trilha de nível fácil para crianças ajuda a no processo de conexão e valorização do meio ambiente
© Kika Bradford / WWF-Brasil
Contato com a natureza ajudou as crianças a passarem pela pandemia com mais saúde e bem-estar

Pesquisa realizada pelo Instituto Alana mostra que 75% das famílias querem aumentar o contato com a natureza no pós-pandemia

Moônica Ribeiro
 
Com o objetivo de identificar como a falta e contato com espaços livres de natureza afetou as crianças na pandemia e como a natureza pode ajudar a restaurar o bem-estar e restaurar os danos do isolamento social, a pesquisa O papel da natureza para a saúde das crianças no pós-pandemia entrevistou pessoas em todo o Brasil.
 
Idealizado pelo programa Criança e Natureza, do Instituto Alana, em parceria com a Fundação Bernard Van Leer e o WWF-Brasil, o estudo foi realizado utilizando duas abordagens metodológicas: uma quantitativa, via questionário, com 1000 pessoas (pais, mães ou cuidadores e crianças de até 12 anos). E outra qualitativa, que contou com a participação de 10 famílias.
 
Antes da pandemia, 71% das crianças tinham oportunidade de brincar ao ar livre até uma vez por semana, número que caiu para 45%. O isolamento e a falta de contato com a natureza tiveram efeitos negativos sobre os pequenos – 24% dos entrevistados e entrevistadas perceberam aumento de problemas físicos, como obesidade e deficiência de vitaminas, e 60% declararam aumento do uso de equipamentos eletrônicos pelas crianças.
 
Nas ocasiões em que foi possível proporcionar o contato das crianças com a natureza, 81% relataram que isso fez com que elas passassem pela pandemia com mais saúde e bem-estar, 93% disseram que elas ficaram mais felizes e ativas física e mentalmente, 88% notaram que os pequenos dormem mais e melhor quando brincam ao ar livre e 85% perceberam que as crianças ficaram menos estressadas e ansiosas.
 
O estudo revela também que, com a reabertura a partir do controle da pandemia, 75% pretendem levar as crianças com mais frequência a espaços públicos como parques e praças. A experiência com o isolamento social trouxe maior preocupação com a conservação da natureza de sua importância para a qualidade de vida: 64% das famílias passaram a valorizar mais a conservação e 59% passaram a pensar mais sobre a importância de ter áreas verdes na cidade.
 
O contato com Áreas Protegidas promove bem-estar, diminuição da pressão arterial, redução de hormônios associados ao estresse, melhora do humor, das funções cognitivas, dentre muitas outras coisas.
 
 “As famílias notaram com mais nitidez os benefícios que o contato com a natureza traz para as crianças e querem ampliar isso. Derrubar as barreiras e apontar caminhos para que haja cada vez mais crianças na natureza e mais natureza para as crianças é uma tarefa sistêmica, que cabe a todos: famílias, profissionais de saúde, educadores e, principalmente, gestores públicos e urbanistas, no sentido de criar, manter e distribuir equitativamente áreas verdes pelas cidades”, destaca JP Amaral, coordenador do programa Criança e Natureza, do Instituto Alana.
 
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançou também recentemente a nota de alerta “O papel da natureza na recuperação da saúde e bem-estar das crianças e
adolescentes durante e após a pandemia de covid-19”, na qual destaca que oferecer mais natureza às crianças pode servir como estratégia para a redução dos danos causados pela pandemia. O documento traz recomendações para as famílias e para os pediatras.
 
Para acessar a pesquisa completa, clique aqui.
 
Assista ao minidoc Primeira infância e natureza
 
 
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