16 anos de trabalho trinacional na Mata Atlântica | WWF Brasil

16 anos de trabalho trinacional na Mata Atlântica



16 outubro 2020    
O araçari-banana (Pteroglossus bailloni) é uma das 1.020 espécies de aves da Mata Atlântica
© Michel Gunther / WWF
Documento compila a visão ambiciosa e lições aprendidas de Brasil, Argentina e Paraguai na Ecorregião do Alto Paraná
 

Por WWF-Brasil

A Mata Atlântica é um dos biomas mais impressionantes da América do Sul. Não apenas abriga várias espécies únicas, como o muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides) e o araçari-banana (Pteroglossus bailloni), mas também é importante para a agricultura e a geração de energia elétrica, com duas das maiores hidrelétricas localizadas nesta região.

Apesar disso, resta hoje apenas 14% da floresta original. As principais ameaças da Mata Atlântica são a conversão de florestas para agricultura e pastagens. Pecuária, infraestrutura, caça ilegal e exploração não sustentável também contribuem para degradação e perda da floresta.

Para buscar soluções para estes desafios, em 2003, o WWF-Brasil, o WWF-Paraguai e a Fundação Vida Silvestre, na Argentina, uniram-se para trabalhar trinacionalmente no projeto de Restauração de Paisagens Florestais (RPF) na Ecorregião do Alto Paraná, onde os três países se encontram.

A Líder Global de Restauração da Rede WWF Anita Diederichsen explica que a importância de ações de restauração na paisagem e a formação de corredores para a biodiversidade foram identificadas como estratégias prioritárias na Visão de Biodiversidade da Ecorregião, em 2003. “É uma grande satisfação podermos olhar agora para os avanços na implementação dessa visão e poder aprender com as lições destes anos de trabalho. Assim poderemos ter resultados ainda melhores na continuidade das ações”, comemora Anita.

Dentre as ações conjuntas em mais de 16 anos, estão capacitações para proprietários rurais e implantação de unidades experimentais de restauração, com o intuito de disseminar a importância de se manter a floresta e ao mesmo tempo proporcionar oportunidades economicamente viáveis para os produtores por meio da restauração.

O desmatamento ainda é um grande desafio. No entanto, alguns resultados do trabalho a longo prazo já são notáveis. Nas ecorregiões da Serra do Mar e Alto Paraná, mais de 5.300 hectares de florestas de Mata Atlântica foram restauradas em oito microbacias desde 2006, com o apoio do WWF.

O trabalho trinacional apoiou a restauração (plantio direto e regeneração natural) de aproximadamente 15.000 hectares de terra. Além disso, as populações de onça-pintada, espécie-chave da região, aumentaram 160% entre 2005 e 2018.

Parceria para a restauração

O WWF e a Fundação Vida Silvestre colaboraram com vários atores, desde governos locais, produtores rurais e comunidades indígenas, até outras ONGs e instituições de pesquisa. O setor privado também tem sido um importante stakeholder, como a Itaipu-Binacional, empresa do setor hidrelétrico e uma das principais implementadoras de restauração na ecorregião do Alto Paraná.

Um exemplo desta troca entre múltiplos atores foi o segundo encontro da Rede Trinacional de Restauração da Mata Atlântica do Alto Paraná, realizado no dia 16 de setembro, de forma remota, que reuniu mais de 100 participantes de 33 organizações em prol do reflorestamento. (mais informações sobre o evento aqui).

A restauração florestal é um processo de longo prazo e este é apenas o começo da história. Reunir diferentes esforços de restauração é crucial, diz Marcelo Limont, da iniciativa brasileira Corredor de Biodiversidade do rio Paraná: “Precisamos fortalecer e desenvolver redes que conectem os diferentes atores interessados em restaurar a Mata Atlântica. Parceria, aprendizagem e trabalho conjunto são muito importantes. Também ajuda com investimentos, não apenas de dinheiro, mas de capacidade e de recursos - seja emprestar equipamento, compartilhar conhecimento de técnicas de restauração ou fornecer mudas”.

“O bom de ter uma rede são potenciais aliados”, concorda Ludmilla Pugilese, do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, coalizão que reúne mais de 200 organizações com a meta de restaurar 15 milhões de hectares de Mata Atlântica no Brasil até 2050. “Um único projeto de restauração não mudará a paisagem, não trará benefícios para toda a comunidade. Portanto, é importante unir ações e esforços para ter resultados mais amplos.”.

O projeto de Restauração de Paisagens Florestais do WWF e da Fundação Vida Silvestre continuará até pelo menos 2023, quando o Plano de Ação Ecorregional termina. No entanto, os esforços trinacionais para a Mata Atlântica não devem finalizar – o posicionamento de parceiros a longo prazo, articulados por meio da Rede Trinacional de Restauração da Mata Atlântica, deverá auxiliar nos desafios da ecorregião.

Para conhecer as lições aprendidas dos 16 anos de projeto trinacional, faça o download ao lado do relatório completo (em inglês) ou do sumário executivo (em português).
O araçari-banana (Pteroglossus bailloni) é uma das 1.020 espécies de aves da Mata Atlântica
© Michel Gunther / WWF Enlarge
O projeto de Restauração de Paisagens Florestais (RPF) atua na Ecorregião do Alto Paraná, onde Brasil, Paraguai e Argentina se encontram
© WWF Enlarge
O projeto colabora com vários atores, desde governos locais, produtores rurais e comunidades indígenas, até outras ONGs, instituições de pesquisa e empresas
© WWF Enlarge
O trabalho trinacional apoiou a restauração (plantio direto e regeneração natural) de aproximadamente 15.000 hectares de terra
© WWF Enlarge
As populações de onça-pintada, espécie-chave da região, aumentaram 160% entre 2005 e 2018
© Fernando Allen / WWF Enlarge
“O bom de ter uma rede são potenciais aliados”, comenta Ludmilla Pugilese, do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica
© WWF Paraguai Enlarge
DOE AGORA
DOE AGORA