WWF-Brasil participa de Fórum Vida Urbana com exposição do Desafio das Cidades



19 novembro 2015    
Exposição retrata resultados do Desafios das Cidades
© Felipe Lobo
Algumas das principais fontes de emissões de gases causadores de efeito estufa (GEEs) têm origem no ambiente urbano, onde hoje vive mais da metade da população mundial. Embora haja grandes desafios, é também ali onde estão as maiores oportunidades, tanto de acesso às tecnologias, quanto de levantamento de recursos. O “Fórum Vida Urbana: Reflexões sobre o Futuro das Cidades”, organizado pela Frente Nacional dos Prefeitos e apoiado pelo WWF-Brasil, discutiu durante os dias 17 e 18, em Belo Horizonte, novas soluções para qualificar o meio urbano, tanto do ponto de vista local, quanto do futuro dos municípios.
 
O Desafio das Cidades da Hora do Planeta, projeto global do WWF em parceria com o ICLEI, esteve presente com uma exposição que demonstrou os esforços das nove cidades brasileiras inscritas na edição de 2015/2016 rumo a uma economia de baixo carbono. Em 10 totens (um deles de abertura), o público presente teve acesso às ações empenhadas pelas prefeituras de Belo Horizonte, Betim, Campinas, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Sorocaba para a redução das emissões de carbono, melhoria da eficiência energética, novo olhar sobre a mobilidade pública e gestão adequada de resíduos sólidos, além de centros de emergência para eventos extremos, entre outros.
 
A partir de agora, as relatorias reportadas pelos representantes das prefeituras no Carbonn, plataforma de registro climático administrada pelo ICLEI em parceria com o C40 e CGLU, serão analisadas por um júri internacional e pela Accenture, consultoria independente contratada. Desta análise sairão as três finalistas brasileiras, que concorrem ao posto de capital nacional da Hora do Planeta. A vencedora disputará o título de Capital Global com as eleitas dos outros 20 países inscritos no Desafio desse ano.
 
A população também poderá participar ativamente do Desafio por meio do site We Love Cities (Nós Amamos as Cidades), que será lançado no começo de 2016 com as cidades finalistas. Nele, será possível votar na preferida e sugerir novas ações e esforços para um futuro mais limpo e justo.
 
“O Desafio das Cidades chega ao terceiro ano no Brasil com municípios engajados em encontrar boas soluções de adaptação e mitigação às mudanças climáticas. Nós acreditamos que essa é a uma premiação com a capacidade de promover exemplos positivos entre a sociedade e o Poder Público, para sensibilizar cada vez mais novas prefeituras. Além disso, é fundamental para mostrar que o movimento da Hora do Planeta vai muito além do apagar das luzes”, afirma Michel Rodrigues Santos, especialista em Políticas Públicas do WWF-Brasil.
 
COP 21
 
O Fórum Vida Urbana também funcionou como um espaço de discussões para capacitar os representantes do Poder Público e da comunidade que participarão ativamente dos eventos da ONU, em especial a COP 21, que acontece em Paris entre os dias 29 de novembro e 12 de dezembro, e de onde se espera que saia um novo acordo climático global e vinculante.
 
André Costa Nahur, Coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, foi um dos participantes do Painel 8, cujo tema foram os “Desafios para o Futuro das Cidades: Rumo à COP 21”. Segundo ele, é urgente que o discurso de combate às mudanças climáticas saia cada vez mais da teoria e encontre a prática, e um dos passos é entender o papel de convenções como a COP de Paris.
 
“Não podemos esperar que Paris dê todas as respostas e resolva todos os problemas das mudanças no clima. Depois dali haverá grupos de trabalho, fomento de bases de financiamento, etc. Desde 1995, quando as reuniões começaram, a curva de emissões de GEEs no mundo é ascendente. Esse cenário não traz segurança para a população, e é necessário entender que as mudanças climáticas são uma questão social, de qualidade de vida, e não ambiental. O desenvolvimento de baixo carbono pode ser positivo do ponto de vista econômico, social e ambiental, não um entrave, como se pensa hoje. Paris será um meio para se chegar a um fim, e para esse fim ser positivo é preciso que haja articulação das cidades, por exemplo”, disse.
 
Jussara Carvalho, Secretária-Executiva do ICLEI-SAMS, foi outra debatedora do painel, ao lado do Secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Carlos Klink, e do Diretor do Centro de Pensamento Estratégico Internacional, o colombiano Phillipp Schonrock. Eles foram mediados pelo Vice-Prefeito de Belo Horizonte, Délio Malheiros.
 
Segundo Jussara, o ambiente urbano e os governos locais precisam ser reconhecidos formalmente como fundamentais no documento oficial que sairá de Paris. E, afirma, as cidades não chegam apenas com reivindicações, mas também com responsabilidades e compromisso.
 
“As cidades ocupam hoje por volta de 1,2% a 1,4% do território global. No entanto, consomem mais de 70% da energia do planeta e também geram mais de 70% das emissões de gases de efeito estufa. Somos 3,5 bilhões de pessoas vivendo em áreas urbanas, mais de 50% em termos globais, mais de 80% no Brasil. Nos próximos 40 anos teremos mais três bilhões de pessoas vivendo em cidades. Embora elas tragam a maior parte desse problema climático, são também a solução, pois é no ambiente urbano em que as pessoas vivem, onde as políticas públicas são feitas, onde podemos mudar tudo”, completou.
 
Nos próximos meses, o WWF-Brasil divulgará os finalistas do Desafio das Cidades. Participe desse processo. Todas as pessoas podem fazer sua parte para o processo de mudança que promoverá um futuro responsável e de segurança climática.
 
Exposição retrata resultados do Desafios das Cidades
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