Diálogos pela biodiversidade em Brasília



07 dezembro 2011    
Jabiru, tuiuiu, pantanal
Diálogos: a biodiversidade no Brasil para os próximos dez anos
© Edward Parker
 Teve início, ontem (6/12) pela manhã, mais uma edição da iniciativa Diálogos da Biodiversidade: construindo a estratégia brasileira para 2020 que, desta vez, promoveu um encontro com representantes do setor governamental, para discutir as metas de conservação da biodiversidade para os próximos dez anos. 

Os Diálogos sobre a Biodiversidade são uma série de encontros setoriais para elaborar de forma participativa um marco legal e um plano de ação para garantir a implementação das metas globais de conservação da biodiversidade para 2020 no Brasil, permitindo que o país exerça liderança benéfica no cenário internacional.
 
Participaram da abertura deste encontro Bráulio Dias, secretário de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, Herman Benjamin, ministro do STJ, Sandra Paulsen, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Claudio Maretti, do WWF, e o senador Cristovam Buarque.
 
Para Claudio Maretti, esta primeira parte do encontro, que se encerra hoje, cumpriu muito bem com seus objetivos de trazer “provocações” e fazer a introdução.  Ele destacou a presença do governo brasileiro, com a participação de Bráulio Dias.
 
“Bráulio assumiu que o interesse do governo não é em um produto menor, mas em uma política Nacional de Biodiversidade que passa, inclusive, pela reformulação da Comissão Nacional de Meio Ambiente, com a criação de um Fórum Nacional de Biodiversidade.

Dever de casa –  Claudio Maretti destacou que o WWF está contente em colaborar para a promoção deste processo porque, como confirmam as falas do MMA e MRE, da IUCN e demais, o Brasil deve ter papel ativo de liderança, internacional, responsável e consentida, nesses processos, sobretudo quando se trata de biodiversidade.

“Estas manifestações indicam que todos vimos fazendo muito bem nosso dever de casa”, comemorou.
 
Assim como todos os palestrantes desta abertura, Cristóvam Buarque, lembrou sobre o papel de liderança do Brasil no entre os países megadiversos e discorreu sobre a necessidade de um novo modelo de desenvolvimento sustentável, calcado em um novo “humanismo”.
 
Para Cristóvam Buarque, mais do que um marco regulatório, a questão da biodiversidade precisa ter um marco ideológico, “ou até nem um marco, uma nuvem, onde se possam discutir todos os problemas”. 
“A manutenção da biodiversidade não será possível se a gente não discutir o modelo econômico, o padrão de consumo, por exemplo”, disse o senador.
 
Biodiversidade tem preço – A economista Sandra Paulsen, do Ipea, trouxe à mesa a questão da valoração econômica da biodiversidade.  Para a economista, a biodiversidade é um capital natural e seus custos não estão sendo considerados adequadamente pelos núcleos de decisão, embora acentuasse que existem avanços.
 
Ela acredita que não somente no Brasil, mas em todo o mundo, o empresariado está começando a entender que não considerar a biodiversidade acarreta riscos para o negócio e que a manutenção e investimento na biodiversidade também trazem oportunidades. 
 
“Acho que isto vem crescentemente sendo levado em consideração por empresários e pelo setor privado, no mundo todo”, avaliou Sandra.  
 
“São importantes recentes as iniciativas do empresariado brasileiro neste sentido e iniciativas do próprio governo, como neste caso, em que ele promove o diálogo entre os diversos setores da sociedade”, disse ela, acrescentando que existe, ainda, um longo caminho a percorrer. “Mas eu sou otimista”, concluiu.
 
Os eventos são promovidos pelo Ministério do Meio Ambiente, União Internacional para Conservação da Natureza (UICN), WWF-Brasil e Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), com o apoio financeiro do Ministério do Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido (Defra) e do Probio II/MMA. 
Esta rodada teve a parceria da Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente (Abema) e do Senado Federal.
 
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