Pesquisadores avaliam impactos sócio-econômicos da pesca profissional no Pantanal



02 outubro 2006

Pesquisadores da Embrapa Pantanal (Corumbá, MS), unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) trabalham, desde o início do ano, na construção de um calendário sazonal para os pescadores profissionais artesanais. Nessa semana, a partir de hoje (02.10), os pesquisadores visitam as colônias de Aquidauana, Miranda e Corumbá conversando com os pescadores e buscando informações sobre suas atividades. O objetivo do projeto é promover um resgate da memória da pesca na região e, ao mesmo tempo, avaliar o impacto das variações de captura no modo de vida das populações.
A partir do calendário, será possível analisar a disponibilidade de estoques pesqueiros e de que forma os mesmos são acessados pelos pescadores ao longo do ano, por exemplo. Segundo a pesquisadora da Embrapa Pantanal, Cristhiane Oliveira da Graça Amâncio, doutora em Ciências Sociais, o trabalho será feito com base nos dados do Sistema de Controle da Pesca de Mato Grosso do Sul (SCPesca). Com mais de 100 mil registros, o sistema é tido como um dos maiores conjunto de dados contínuos da pesca de águas interiores do País.
Por este motivo, explica a pesquisadora, as informações do sistema permitem diferentes interações e abordagens que serão utilizadas para comprovar indagações científicas, especulações do senso comum e analisar os impactos na sustentabilidade da atividade pesqueira no Pantanal. Com isso pretende-se abastecer com informações científicas os gestores públicos subsidiando o desenvolvimento de políticas voltadas para a manutenção da atividade da pesca artesanal e fundamentalmente resgatar a memória desta população e sistematizar o conhecimento tradicional que vem se perdendo ao longo do tempo, enfatiza. Por enquanto, o projeto envolve pescadores de três colônias da região pantaneira, nas cidades de Aquidauana, Miranda e Corumbá, sendo que só neste último, o número de famílias chega a 1.200.

SCPesca – O SCPesca/MS) foi implantado em 1994, numa parceria entre a Embrapa Pantanal, o 15º Batalhão de Polícia Militar Ambiental/MS e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente/MS. Através do sistema foi realizada a coleta e a analise de informações sobre a pesca em toda a Bacia do Alto Paraguai (BAP/MS), tais como quantidade de pescado capturado por espécie, por rio, por mês, número mensal de pescadores que atuaram nos diferentes rios entre outras, obtendo uma descrição anual detalhada sobre a pesca.
Entre os anos de 1994 e 1999, por exemplo, informações coletadas pelo SCPesca revelaram que o nível de exploração dos estoques pesqueiros no Pantanal encontrava-se baixo diante de seu potencial, sendo que apenas uma espécie, o Pacu, apresentou indicativo de sobrepesca. Essa constatação motivou o aumento do tamanho mínimo de captura dessa espécie a fim de protegê-la. Além disso, no mesmo período, ficou claro que a maior quantidade de pescado capturada nos rios pantaneiros era atribuída aos pescadores amadores, também conhecidos como pescadores esportivos.


Parceria com WWF-Brasil
O WWF-Brasil, por meio do Programa Pantanal para Sempre, trabalha em parceria com a Embrapa Pantanal em vários projetos. Em 2002, foi viabilizada a pesquisa “Impacto da Pesca na Estrada Parque Pantanal”. Em relação à pecuária orgânica certificada, foram publicados dois trabalhos científicos: “Avaliação Bioeconômica da Suplementação em Sistema de Produção Orgânica no Pantanal dos Paiaguás” e “Avaliação do Desempenho Pós-Desmama de Novilhas e de Tourinhos, em Sistema Extensivo de Produção Orgânica, Suplementados em Regime de Pastagens Nativas”.

(Com informações da Assessoria de Comunicação Embrapa Pantanal)

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