Pescando Letras e preservando o meio ambiente



14 julho 2006
Dona Isolina e seu Joaquim, pescadores do município de Miranda (MS), participaram do curso de alfabetização Pescando Letras.
© WWF-Brasil / Denise Oliveira

Eles fazem parte de uma família que se dedica integralmente à pesca. São a exuberante natureza e a biodiversidade dos rios pantaneiros que proporcionam a eles os recursos para viver. No dia 31 de maio, Dona Isolina Xavier Bandeira (61 anos) e o marido Joaquim Lopes Bandeira (71 anos) estavam ao lado de cinco filhos, dois genros e uma nora na solenidade de diplomação do curso de alfabetização “Pescando Letras”. Ao todo, 46 pescadores receberam o diploma em 2005 no município de Miranda, estado do Mato Grosso do Sul.

O projeto Pescando Letras conta com o apoio do Programa Pantanal para Sempre por meio do Programa Natural Livelihood Resources and Poverty Alleviation (NLRPA) desde 2004. É realizado em articulação pela Secretaria de Aqüicultura e Pesca da Presidência da República, Secretaria de Educação do Município de Miranda (MS) e Escola Municipal XV de Outubro.

Foram três meses de aulas no período de proibição da pesca no Pantanal. O meio ambiente foi o tema principal e o motor para incentivar esses adultos que não tiveram oportunidade de estudar nas escolas tradicionais a se dedicar aos estudos e a aprender a ler e a escrever, mesmo que mais tarde.

A presença de três professores familiarizados com a realidade local, entre eles Janete Correa, presidente da Associação Arte Peixe, também contribuiu para que os alunos fossem perseverantes e não abandonassem os estudos. Janete, além dos conhecimentos de pescadora, também levou para a sala de aula sua sensibilidade de artesã que recicla pele e escamas de peixe, transformando-os em artesanato que vende para obter mais renda para a família.

Nesse ambiente familiar, com assuntos do dia-a-dia, não foi difícil aprender. Entre as tarefas finais estava a de produzir textos e dona Isolina não deixou por menos. Buscou na sua história de vida a inspiração para o discurso de encerramento da formatura e falou sobre a necessidade de trabalhar para sobreviver, a convivência com a natureza e a necessidade de cuidar dela para que os netos e bisnetos também possam usufruir. “É triste ver as latinhas de cerveja boiando no rio. Quando você tem consciência não joga lixo no rio, cuida dele”, afirma.

A professora Janete Correa comenta que o projeto está despertando o interesse de mais pescadores a cada ano. Para o próximo curso, de novembro de 2006 a fevereiro de 2007, já há 65 inscritos. “Essas pessoas não tiveram oportunidade de estudar por causa do trabalho. E sabem que não podem perder a oportunidade de aprender a ler e a escrever. Isso faz diferença. Eles se tornam mais independentes e cidadãos ”, afirma.

Janete explica que desde 2004 aproveita os cadernos de atividades em educação ambiental fornecidos pelo WWF-Brasil. Para 2006,estão planejando criar uma disciplina específica de sobre meio ambiente para abordar mais profundamente o tema. “Vamos convidar especialistas a dar palestras, diversificar as atividades. Temos de preservar hoje para não reclamar amanhã. Os pescadores trabalham diretamente no rio. Também precisam de informações”, finaliza.

Dona Isolina e seu Joaquim, pescadores do município de Miranda (MS), participaram do curso de alfabetização Pescando Letras.
© WWF-Brasil / Denise Oliveira Enlarge
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