Mulheres aumentam renda com artesanato usando produtos naturais



11 novembro 2005
“Meu sonho é conseguir tirar uns R$ 400 por mês na associação de processamento de couro de peixe, ser independente e ainda poder ajudar em casa”, diz Wania Alecrim de Lima, 38 anos. Como muitas mulheres da pequena Corumbá, cidade de Mato Grosso do Sul, ela se casou aos 15 anos com um pescador da região. Teve quatro filhos e durante muito tempo foi dona-de-casa, chegando apenas a fazer umas faxinas em outras casas para complementar a renda na época em que a pesca na região é proibida (de novembro a janeiro) para os peixes se reproduzirem.

Muitas vezes, o marido tinha que deixar a família nessa época do ano para trabalhar em colheitas. “A gente passava muita necessidade. Era difícil poder dar somente o almoço para eles e saber que iriam dormir com fome”, lembra Wania.

Em Corumbá, 70% dos pescadores são analfabetos, a renda média familiar é de R$ 226 e a principal atividade econômica da região é a pesca. Antes de surgir a associação que aproveita todo o peixe, desde espinhas, até o couro e a carne, o desperdício de material para artesanato era muito grande. As pessoas não sabiam como aproveitar os restos do peixe para aumentar a renda. Hoje o peixe se transforma em mantas, agendas e até porta-celulares.

Wania fez um curso de capacitação e aprendeu a curtir o couro do peixe, manusear o material e fazer lindos trabalhos manuais. Aprendeu até a cozinhar pratos novos para aproveitar todo o peixe. Com isso, sua realidade está mudando. Hoje ela compra peixes e os processa junto com outras mulheres da Associação Amor-Peixe, de Corumbá.

O projeto começou há três anos, quando uma pesquisadora resolveu dar um curso de manuseio de couro de peixe para as mulheres dos pescadores locais. Hoje elas curtem o couro, fazem peças artesanais com o couro do peixe e ainda cozinham e congelam pratos típicos da região para vender para turistas que passam pela cidade. A oficina funciona numa casa de artesãos, um dos atrativos turísticos de Corumbá. “As pessoas adoram nos ver trabalhando”, comenta Wanda. 

Além do trabalho, Wania também começou a se interessar pelos estudos. Quando se casou, havia parado de estudar na oitava série do ensino fundamental. Hoje, cursa o segundo ano de Zootecnia.

Assim como Wânia, muitas outras mulheres de Corumbá, Miranda e Coxim, outras duas cidades de Mato Grosso do Sul, começaram a mudar suas vidas e adquirir auto-estima por causa desse projeto apoiado pelo WWF-Brasil. Além das oficinas de artesanato com couro de peixe, há ainda o programa “pescando letras”, que ensina adultos e crianças da região a ler e a escrever.

Por enquanto, as peças ainda são vendidas apenas no Brasil, em pequena escala. Mas a capacidade de produção está aumentando gradualmente. A intenção é que os parceiros que apoiam o programa se juntem e consigam cursos de design e administração para que a cooperativa cresça e, no futuro, os produtos possam ser conhecidos também fora do Brasil.

A associação conta com o apoio do WWF-Brasil, por meio do programa Pantanal para Sempre. Há ainda outras duas associações que são apoiadas pelo programa: ART-Peixe, em Miranda, e AR-Peixe, em Coxim.
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