Expedição foi um marco nas atividades de campo, diz chefe do parque



24 agosto 2005
Christoph Jaster e representantes wajãpi, reunidos na aldeia Kamuta, falam sobre cooperação para fiscalizar a região
© Zig Koch
A expedição realizada entre 23 de julho e 23 de agosto de 2005, pelo Ibama e WWF-Brasil, contando ainda com a participação de diversos parceiros, pode ser considerada um marco nas atividades de campo realizadas por nós no PNMT do Tumucumaque. Com quase 39 mil quilômetros quadrados, cerca 1.750 quilômetros de perímetro, dos quais 625 quilômetros próximos a fronteiras internacionais, e localizado prioritariamente em região de dificílimo acesso, a gestão deste gigante representa um desafio que não pode ser mensurado sob parâmetros normais.

Percorrendo o limite oeste do parque, compreendido principalmente pelo alto curso do rio Jari, a expedição conseguiu fazer o primeiro reconhecimento de campo não-aéreo em uma das regiões de maior relevância para o manejo da área. Diante da complexidade logística, do número de pessoas envolvidas e da duração sem precedentes, a expedição colheu importantes informações sobre a paisagem, os meios biótico e abiótico, a pressão antrópica e a dinâmica sócio-ambiental daquela porção do parque nacional.

Ao mesmo tempo, foram estreitados os laços com atores sociais direta ou indiretamente envolvidos na gestão da unidade, em especial os índios Wajãpi e os comunitários da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Iratapuru, vizinhos do parque. Além de atividades como a colocação de placas de sinalização, a expedição conseguiu, através do contato direto com garimpeiros, adquirir maior sensibilidade e percepção acerca da atividade mineralógica da região, aspecto de fundamental importância para definir os futuros rumos da proteção e da gestão dessa área protegida.

A dificuldade operacional e os altos custos acarretados por essa experiência forneceram um quadro mais realista dos esforços técnicos, logísticos e orçamentários necessários para fazer com que o PNMT cumpra os objetivos para os quais foi criado. Menciona-se, aqui, a fundamental importância do papel desempenhado pelos parceiros técnico-financeiros do Ibama nesta batalha, como o WWF-Brasil, e iniciativas como o Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), do Governo Federal, implementado pelo Ministério do Meio Ambiente com a participação de vários parceiros.
Christoph Jaster e representantes wajãpi, reunidos na aldeia Kamuta, falam sobre cooperação para fiscalizar a região
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