Chegada ao Iratapuru, ponto final da expedição



23 agosto 2005

A última noite da expedição pelo rio Jari foi tranqüila e sem chuva, apenas com o rotineiro frio na madrugada. Acordamos muito cedo, sob um misto de euforia e tristeza pela despedida e encerramento da grande viagem.

Os barcos foram atracados em outra pequena praia, mais abaixo do local onde descarregamos as nossas coisas, para deixá-los mais próximos. O transporte dos barcos foi uma operação difícil e demorada. O "jerico" puxava por uma corda presa na frente e os homens empurravam, sendo que se colocava troncos roliças embaixo para facilitar o deslocamento e não danificar o casco nas pedras. Cada barco levou aproximadamente uma hora e meia para ser transportado ao longo de aproximadamente um quilômetro.

Itacoaquera é um dos lugares mais bonitos por que passamos, com riacho de águas límpidas e frias, que passa a algumas centenas de metros paralelamente ao rio Jari. Possui duas pequenas cachoeiras. Na área existem algumas construções de madeira, a casa do senhor Parrudo, dois galpões - um dos quais onde dormimos - e uma casa abandonada. Ao redor da casa, estão espalhados pedaços de maquinários, eixos, carcaças de carreto e garrafas e lixo em geral.

Há também uma criação de porcos, que ficam soltos e percorrem toda área. Existem também duas estradas bem delimitadas. Parrudo vive ali com sua mulher, a Sâmia, que está grávida. Segundo informações do seu Arraia, ele vive ali a mais de dez anos, sempre fazendo este tipo de transporte. Cobra três gramas de ouro por carreto, cerca de 80 reais.

Por volta das 10h30 chegou o último barco, a catraia, trazida nas costas pelo pessoal da comunidade de São Franscisco. Então, rapidamente começou a colocação dos motores nos barcos e o carregamento de nossas coisas. A expectativa de chegada era grande, pois faltavam menos de duas horas para retornarmos à vila de São Francisco do Iratapuru, ponto final da expedição.

Aproveitamos o percurso, verificamos os limites da Estação Ecológica do Jari, marcando os pontos de interesse, como casas, rios e paredões de arenito. O que mais chamou nossa atenção foi a mudança na paisagem do rio após o Carecuru, que se acentua muito a partir da corredeira Itacoaquera: o aparecimento de paredões e belíssimas formações de arenito, conseqüentemente também observamos mudanças na fitofisionomia, aparecendo um mosaico de tons de verde muito diferentes.

Navegamos por aproximadamente por uma hora e meia, passando por algumas pequenas corredeiras, como a do Itaperuba, e nos aproximamos de São Francisco do Iratapuru. Aí, começou a movimentação do pessoal da comunidade, com a mudança de alguns de barco, que se reuniram no batelão dirigido pelo senhor Arraia para soltar os foguetes anunciando a nossa chegada.

Entramos no rio Iratapuru já após o meio dia. Havia algumas crianças a nossa espera, enquanto outras pessoas se movimentavam em direção ao trapiche da casa do senhor Arraia. Assim que atracamos os comunitários se dispersaram rapidamente, diferentemente do habitual, os barcos permaneceram carregados. Descemos todos para um descanso e para visitar a comunidade, pois o enfermeiro Benedito e Cristiano e Kempers, ambos do Ibama, não a conheciam. A recepção foi calorosa, com cumprimentos conforme passávamos pelas casas. Eles estavam em casa e muito felizes.

Para alguns, ainda havia um trecho a ser enfrentado até Monte Dourado, distrito de Almeirim, no Pará, às margens do Jari, de onde pegaríamos avião para Macapá, de volta para casa.
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