AVES: Periquito típico da Colômbia é avistado no Mato Grosso



23 agosto 2011    
Aves no rio Madeirinha. Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
Aves no rio Madeirinha. Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
© WWF-Brasil/Juvenal Pereira
Por Jorge Eduardo Dantas de Oliveira

A ocorrência de periquitos do tipo Tiriba, do gênero Pyrrhura, nas florestas do Mato Grosso, foi a grande surpresa das pesquisas de avifauna da Expedição Guariba-Roosevelt.

Este tipo de animal é encontrado principalmente nas florestas da Colômbia. No entanto, durante a expedição, um grupo de quatro ou cinco indivíduos foi visto no trecho de sessenta quilômetros situado entre os rios Guariba e Roosevelt.

Foram encontradas ainda duas espécies de aves migratórias: a águia-pescadora (Pandion haliaetus) e o maçarico-pintado (Actitis macularius).

Outros pássaros registrados foram 11 espécies endêmicas ou com distribuição restrita: a saripoca-de-gould (Selenidera gouldi), o jacamim-de-costas-verdes (Psophia viridis), o tiriba de barriga-vermelha (Pyrrhura perlata), o uirapuru de chapéu branco (Lepidothrix nattereri), o papagaio-dos-garbes (Amazona kawalli), a choca-pintada (Megastictus margaritatus), a choquinha de Ihering (Myrmotherula iheringi), a piririca de bico vermelho (Lamprospiza melanoleuca), a ariramba da mata (Galbula cyanicollis), a choca-listrada (Thamnophilus palliatus), e o coroa de fogo (Heterocercus linteatus).

O noroeste do Mato Grosso apresentou ainda quatro espécies de pássaros típicas de ambientes antropizados. São o carrapteiro (Milvago chimachima), o anu-preto (Crotophaga ani), a coruja-buraqueira (Athene cunicularia) e o pardal (Passer domesticus).

Cerca de 313 espécies de aves, pertencentes a 60 famílias e 23 ordens distintas, foram registradas. Outras espécies encontradas pelos pesquisadores e que podem ser destacadas são gralhas, jacamares e uirapurus.

O observador de pássaros Jorge Lopes contou que o grande número de pássaros observados deve-se à diversidade de ambientes existentes nas unidades de conservação visitadas.

“Andamos por campinaranas, áreas de floresta densa, áreas de transição e muitas beiras de rios. Esses ambientes diferentes geram, por conseqüência, avifaunas diferentes”, explicou Jorge Lopes.

Nas imediações do rio Madeirinha e também do rio Roosevelt, na região conhecida como Cotovelo, foram encontrados três exemplares do Pavonine Quetzal (Pharomachrus pavoninus). Considerada por cientistas uma “espécie exigente”, esta ave é, segundo especialistas, raríssima e difícil de ser vista.

A Pharomachrus pavoninus não convive bem com mudanças – assim que o ambiente começa a ser alterado, geralmente pela ação humana, a espécie se retira para locais mais afastados. A presença desta ave significa, portanto, a existência de uma área pouco antropizada, onde o homem “mexeu pouco”.

Jorge Lopes contou que outros trabalhos de campo são necessárias no noroeste do Mato Grosso. Segundo ele, a grande quantidade de espécies de aves na região merece ser melhor conhecida, por meio de estudos mais aprofundados e abrangentes.

O ornitólogo José Flávio Júnior, outro cientista da equipe de avifauna, ressaltou que as áreas de campinarana – ou seja, as áreas abertas na Amazônia que possuem características de cerrado – ainda são muito pouco estudadas do ponto de vista da avifauna. “Hoje, existem pouquíssimos dados disponíveis sobre as aves que vivem nessas áreas abertas, de campinaranas, que se encontram no meio da selva”, contou.

José Flávio afirmou ainda que algumas espécies encontram-se no limite de sua distribuição geográfica conhecida - o que pode indicar alguma barreira física ou biológica importante que isola subgrupos da avifauna. “Um indício desta situação é a constatação de que algumas espécies apresentam vocalizações diferentes, mesmo situadas em áreas próximas”, explicou o pesquisador.
Aves no rio Madeirinha. Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
Aves no rio Madeirinha. Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
© WWF-Brasil/Juvenal Pereira Enlarge
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