Em busca dos répteis e anfíbios



25 outubro 2008
Expedição avança pela região do rio Negro
© WWF-Brasil / Zig Koch
Por Ana Cíntia Guazzelli

Em tempo de chuva, são poucos os répteis e anfíbios que arriscam deixar a toca. Eles adoram umidade, mas preferem aguardar, sem pressa, a estiagem. O fato é que não tem havido trégua e, para aumentar ainda mais a ansiedade da equipe de herpetologia da expedição, chove praticamente todos os dias, durante quase o dia todo.

Hoje, saímos com a bióloga Shanna Bittencourt, especialista em lagartos, para conhecer um pouco mais do trabalho dela e de seu grupo, composto por mais dois integrantes, Luís Henrique Condrati e Marcos Bento. Tínhamos consciência de que nossas gravações e fotos ficariam extremamente prejudicadas caso o tempo não abrisse (pelo menos no momento das imagens). Mesmo assim, resolvemos acompanhá-la.

A escolha dos locais para montagem das armadilhas foi estratégica e feita em conjunto com as equipes de pequenos mamíferos e aracnídeos. Todos colocaram a mão na massa e, em dois dias e meio, com o auxílio de mais 10 ribeirinhos contratados, terminaram as instalações. Em cada uma das margens do rio Jufari, na altura da comunidade do Caicubi, foram montadas três linhas de coletas, em seis diferentes pontos de ilhas distintas.

Durante, no mínimo, 10 dias consecutivos, logo pela manhã, os especialistas visitam os locais de coleta, recolhendo os bichos capturados. Diferentes métodos são utilizados: o pitfall é uma sequência de armadilhas formada por 10 baldes enterrados, distantes sete metros entre si, traçados por uma cerca guia de lona plástica, que auxilia na condução dos animais para o interior dos baldes.

Já o funil trap é um cilindro de tela plástica, com duas extremidades em forma de funil, para entrada dos animais. Por ali, eles entram e não conseguem sair. Esse método é bastante utilizado para captura de serpentes e lagartos.

Em relação aos anfíbios (salamandras, sapos, rãs etc.), a Amazônia abriga 163 espécies, 87% das quais endêmicas. Apenas um número pequeno de grandes rios navegáveis foi pesquisado. O endemismo em anfíbios ainda é pequeno, envolvendo apenas 12 espécies (7% do total). Das 6.400 espécies de répteis (jacarés, tartarugas, cobras) conhecidas no mundo, há 378 na Amazônia continental, 62% das quais endêmicas. Só de serpentes são 305 espécies.

Segundo a bióloga Carla Bentel, especialista em pequenos mamíferos, o objetivo dessas capturas é observar a ocorrência de diferentes espécies relacionadas a ambientes distintos. “Dessa forma, quanto maior o número de ambientes distintos amostrados, maior a chance de ampliar o conhecimento sobre a riqueza da região”, explica.

Em quatro noites, cerca de 15 espécies já foram coletadas pela equipe de herpetofauna. “A chuva tem atrapalhado um pouco, mas nos consideramos satisfeitos com o resultado obtido até agora. Vale lembrar que ainda estamos praticamente na metade da primeira fase da expedição e que várias surpresas podem acontecer”, lembrou Shanna.

Agora, vamos acompanhar a captura de morcegos em algumas residências da comunidade de Caicubi. Lá também registraremos as atividades da equipe sócio-econômica, com moradores e crianças locais.
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