Ariranhas fazem festa para fotógrafo



20 outubro 2008
Equipe vê o dia nascer no Arquipélago de Mariuá
© WWF-Brasil / Zig Koch
Por Ana Cíntia Guazzelli

No campo, a rotina de trabalho começa cedo. Não há tempo a perder. Hoje, por volta das 6h30, as equipes de comunicação e sócio-econômica partiram de voadeira para visitar a comunidade Dom Pedro II, situada em uma das ilhas do Arquipélago de Mariuá.

Ao contrário do que sugere o nome do lugarejo, seu batismo não foi em homenagem ao imperador. Aqui, Dom Pedro II é reconhecido como um pequeno barco que foi abandonado na região e ficou encalhado nas margens da localidade durante muitos anos. Como na maioria das comunidades do rio Negro que conta com escolas municipais, o grau de escolaridade na Dom Pedro II não passa do 5º ano do Ensino Fundamental.

A ausência do líder da comunidade, Raimundo Brito, não dificultou o trabalho das assistentes sociais da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Sua esposa, Maria Sebastiana Brito, de 49 anos, assumiu a liderança e em pouco tempo mobilizou toda a comunidade para atender às necessidades da equipe.

Sete famílias dividem a área da comunidade. A maioria vive da caça, pesca, extrativismo de óleos vegetais e de castanha, além da agricultura de subsistência. A dieta alimentar é enriquecida com frutas diversas cultivadas na própria comunidade. Alguns se dedicam à pesca comercial.

Estas e outras informações foram repassadas para Talita e Carol que, pacientemente, visitaram quase todas as residências. O objetivo das pesquisadoras era orientar os moradores para a elaboração de um mapa cognitivo: no desenho, eles mostraram suas áreas de uso de recursos naturais, além do reconhecimento dos limites da comunidade.

Enquanto isso, as crianças participavam de atividades sócio-educativas promovidas por Andréia e Adriana. Perceber a visão dos pequenos sobre a comunidade em que vivem era o principal objetivo das assistentes sociais, que utilizaram ferramentas como teatro de fantoches e pinturas em papel.

No final da tarde, a equipe de Botânica visitou várias ilhas para coleta de materiais floridos, que foram separados em sílica para extração do DNA e preparação para as prensas.

Na volta para o barco, a grande surpresa do dia: um grupo de quatro ariranhas rodeou a voadeira e, para alegria do fotógrafo, não se afugentaram rapidamente. Zig Koch não titubeou e, com o dedo no disparador, aproveitou os movimentos dos mamíferos raros de serem observados na natureza, principalmente no rio Negro.
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