Comunitários ainda têm dúvidas sobre criação da Resex

05 novembro 2008

Hoje a reunião matinal da equipe foi na comunidade Itaquera, no rio Jauaperi. Com uma platéia de mais de 70 pessoas – entre adultos, jovens e crianças -, os debates giraram em torno das vantagens e desvantagens na criação da Reserva Extrativista Baixo Rio Branco-Jauaperi.
Por Ana Cíntia Guazzelli

Hoje a reunião matinal da equipe foi na comunidade Itaquera, no rio Jauaperi. Com uma platéia de mais de 70 pessoas – entre adultos, jovens e crianças -, os debates giraram em torno das vantagens e desvantagens da criação da Reserva Extrativista Baixo Rio Branco-Jauaperi. Ainda há muita dúvida e, ao que tudo indica, grupos contrários à criação desta unidade de conservação pregam aos comunitários falsas informações sobre as conseqüências negativas que recairão sobre eles caso seja criada uma Resex na região.

A área proposta para criação da Resex está localizada entre as calhas dos rios Jauaperi, Negro e Branco. Pertence a dois estados: Amazonas e Roraima, cuja divisa é o rio Jauaperi, abrangendo 10 comunidades: Xixuaú, Samaúma, Itaquera, Floresta, Dona Cota e Remanso, pertencentes ao município de Rorainópolis, estado de Roraima e São Pedro, Palestina, Tanauaú e Gaspar, situadas no município de Novo Airão, Amazonas.

A ausência do estado é evidente em todas as comunidades por onde passamos. Aquelas situadas em Roraima são contempladas com 200 litros de diesel mensalmente para o gerador. Poucas comunidades contam com escola e professores. As aulas, quando há, são irregulares, e a educação básica chega apenas até a 4ª série do Ensino Fundamental. Já os moradores que vivem em comunidades localizadas no Amazonas são praticamente desassistidos pelas políticas públicas estaduais. “A gente se sente abandonado, sem escola, sem direito à saúde, sem meio de transporte, sem comunicação, sem luz...”, lamentou Rodrigo Alves Barros, de 31 anos, morador da comunidade de Tanauaú.

A baixa escolaridade e o baixo poder aquisitivo da grande maioria dos moradores, além do abandono social, os tornam presas fáceis para grupos distintos que têm interesse em explorar economicamente a área proposta para a Resex. Estudos indicam que a região do baixo rio Branco e Jauaperi é rica em madeira ainda pouco explorada. Por contar com belas paisagens e grande variedade de pescados, ela também é alvo de exploração turística, além da pesca comercial, que foi praticada durante vários anos seguidos nas calhas destes rios, provocando drástica diminuição da fauna pesqueira local.

O objetivo principal dos integrantes desta expedição é mostrar para os moradores desta região durante as reuniões, que a criação da Resex Baixo Rio Branco-Jauaperi se apresenta como a melhor solução para lhes garantir a permanência nas terras onde vivem e conseqüente melhoria na qualidade de suas vidas, com geração de renda através de projetos sustentáveis.
Jovens, adultos e até crianças participaram da reunião
© WWF-Brasil / Zig Koch
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