Entrevista - Jane Vasconcellos, bióloga



23 agosto 2011    
Jane Vasconcellos, responsável por redigir os planos de manejo das quatro unidades de conservação visitadas pela Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
Jane Vasconcellos, responsável por redigir os planos de manejo das quatro unidades de conservação visitadas pela Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
© WWF-Brasil/Juvenal Pereira
“Meu objetivo é redigir planos de manejo que possam ser lidos pela maioria das pessoas”

Por Jorge Eduardo Dantas de Oliveira


Bióloga com Mestrado em Botânica e Doutorado em Ciências Florestais/Conservação da Natureza, Jane Vasconcellos será a responsável por redigir o texto final dos planos de manejo das quatro unidades de conservação visitadas pela Expedição Guariba-Roosevelt. Experiente – Jane começou a trabalhar como bióloga na época em que o curso era chamado de “História Natural” nas Instituições de Ensino Superior. Ela já foi professora, pesquisadora de Botânica e Fitosociologia, técnica da Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul na década de 80, quando este órgão era o responsável pela gestão de áreas protegidas no Estado e administradora, entre 1999 e 2003, do Parque Estadual do Itapoã, também no Rio Grande do Sul. Hoje, está aposentada e trabalha apenas com consultorias. Nos últimos anos, redigiu os textos finais dos planos de manejo do Parque Nacional Serra da Cotia, em Rondônia; da Reserva Biológica do Jaru, na fronteira entre Rondônia e Amazonas; do Parque Nacional do Juruena e do Parque Nacional dos Campos Amazônicos, entre o Mato Grosso e o Amazonas.


1- No que consiste redigir o texto final dos planos de manejo?

Jane Vasconcellos: Estruturar e fazer o texto final de um Plano de Manejo consiste em reunir os relatórios de todos os pesquisadores e transformá-los em algo legível. Na prática, preciso escrever um novo texto, preservando a essência dos relatórios. É um trabalho difícil, que precisa de uma boa dose de conhecimento anterior para ser bem feito. Meu objetivo não é escrever textos de divulgação, mas garantir que os planos de manejo tenham uma linguagem mais acessível e possam ser lidos pela maioria das pessoas.

2 – Que metodologia é utilizada para a redação dos textos?

Jane Vasconcellos: A princípio, acompanho toda a etapa de oficinas, assembléias e reuniões que são feitas durante a preparação dos Planos. Então acompanho o processo e já vou fazendo anotações e participando das discussões. Depois, pego os relatórios que os pesquisadores me enviam e reescrevo. Por questões de idade, não vou mais a campo. Mas geralmente faço um sobrevôo nas Unidades de Conservação para tirar dúvidas e confirmar algumas coisas que havia visto somente no papel.

3 – Qual é a maior dificuldade neste trabalho?

Jane Vasconcellos:
Geralmente os prazos, que são bem apertados. Depois de escrever, normalmente eu envio o texto de volta para os pesquisadores, para que eles possam fazer algumas observações. Tenho pouco tempo disponível para fazer o texto final, já que fico apertada entre o retorno dos cientistas e o prazo final dado pelos contratantes do serviço.

4 – Qual é a importância da construção dos planos de manejo?

Jane Vasconcellos: Os Planos de Manejo são importantes porque valorizam as áreas em questão. Como ele aumenta o nível de conhecimento sobre determinado região geográfica, então é possível atribuir valor e dar a devida importância àquele território. As quatro unidades de conservação com que estamos trabalhando agora são importantíssimas sob esse ponto de vista, porque são as áreas mais preservadas do Estado do Mato Grosso.
Jane Vasconcellos, responsável por redigir os planos de manejo das quatro unidades de conservação visitadas pela Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
Jane Vasconcellos, responsável por redigir os planos de manejo das quatro unidades de conservação visitadas pela Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
© WWF-Brasil/Juvenal Pereira Enlarge
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