Entrevista - Cristiane Klein, bióloga



23 agosto 2011    
Cristiane Klein, bióloga. Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
Cristiane Klein, bióloga. Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
© WWF-Brasil/Juvenal Pereira
“O Plano de Uso Público indica os potenciais turísticos das unidades de conservação”

Por Jorge Eduardo Dantas de Oliveira


A bióloga e educadora ambiental Cristiane Klein, 28, é a responsável pelo Plano de Uso Público das quatro unidades de conservação pesquisadas pela Expedição Guariba-Roosevelt. O Plano de Uso Público indica os potenciais turísticos das áreas protegidas. Cristiane tem experiência com formação de professores – função que desempenhou por três anos - já trabalhou com o Instituto Cidadania e Vida (ICV) e com o WWF-Brasil no município mato-grossense de Apiacás, uma das localidades mais importantes do noroeste do Estado. Este é o segundo trabalho em que ela fica encarregada do Plano de Uso Público: em duas campanhas anteriores, em 2007 e 2008, ela colheu dados para subsidiar o Plano de Uso Público do Parque Nacional do Juruena, no sul do Amazonas.


1- Qual é o objetivo do Plano de Uso Público?

Cristiane Klein: O intuito deste documento é indicar os potenciais turísticos das unidades de conservação. Para isso, tenho que saber se já existe, no interior desses espaços, alguma atividade turística em andamento. Faz parte também da minha função saber se a comunidade já utiliza algum espaço para lazer, saber se este espaço comporta a quantidade de pessoas que o procuram e saber se a região em questão – uma cachoeira, por exemplo – já está degradada ou não. Neste caso, vou analisar apenas o Parque Estadual do Tucumã e a Reserva Extrativista (Resex) Guariba-Roosevelt – as outras duas unidades de conservação (as Estações Ecológicas do rio Madeirinha e do rio Roosevelt), como são de proteção integral, não podem ser usadas do ponto de vista turístico.

2- Como se redige um Plano de Uso Público?

Cristiane Klein: Principalmente por meio das conversas com os comunitários e ribeirinhos e pela visitação in loco. Você pega um barco e passa pelas comunidades, conversando com as lideranças, ouvindo sugestões e recebendo essas informações pelas fontes mais importantes. Na minha função consta ainda visitar determinados espaços e perceber se ali é possível desenvolver alguma atividade turística.

3- Que outras informações constam no plano?

Cristiane Klein: É preciso ficar claro que, ao sugerir as potencialidades turísticas de determinado local, não é possível indicar apenas lugares. O plano deve dizer se existe, naquela unidade de conservação, um circuito de atrações que justifique a visita de turistas e a consolidação de um sistema para este fim. Preciso levantar também a produção artesanal das comunidades, as festividades, e dados da culinária local. Também é preciso garantir os atendimentos necessários – por exemplo, entram informações sobre o hospital mais próximo, as escolas no entorno, os hotéis e acessos disponíveis.

4 – Quais são as maiores dificuldades na redação do plano?

Cristiane Klein: Uma das grandes dificuldades que temos é o envolvimento dos moradores das comunidades e do interior das unidades de conservação. Sem o envolvimento dos moradores, não será possível fazer com que este processo torne-se sustentável. Então precisamos dos ribeirinhos para ajudar na fiscalização dos locais, para auxiliar na abertura de trilhas, para funcionar como guias, entre outras coisas.   

5- Nas unidades de conservação visitadas pela expedição, o que já existe de informação disponível sobre as potencialidades turísticas?

Cristiane Klein: No norte do rio Roosevelt, no Amazonas, já existe uma pousada que recebe muitos turistas que vêm à região para praticar a pesca esportiva. Esse é um dado que entra na minha pesquisa. Além de pesquisar lugares diferentes, posso levantar se é possível expandir esta prática para outras regiões do Roosevelt ou do próprio Guariba. 
Cristiane Klein, bióloga. Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
Cristiane Klein, bióloga. Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
© WWF-Brasil/Juvenal Pereira Enlarge
DOE AGORA
DOE AGORA