Guariba – retrato de problemas ambientais



23 agosto 2011    
Vista de Guariba, um dos lugares mais importantes da região.
Vista de Guariba, um dos lugares mais importantes da região.
© WWF-Brasil/Juvenal Pereira
Por Jorge Eduardo Dantas de Oliveira

Com apenas 2,7 mil habitantes e uma economia que gira em torno da indústria madeireira, do comércio e de oficinas para caminhões, o distrito de Guariba – ou Vila Guariba, como também é conhecida – é uma das localidades rurais que ilustra mais claramente os problemas ambientais de Colniza, cidade a qual é vinculada.

A história da Vila tem início em 1983, com o advento do projeto “Filinto Muller”. Desenvolvido pelo governo federal, o projeto tinha como objetivo promover a ocupação da porção Noroeste do Mato Grosso. O território da Vila foi dividido em lotes, que seriam doados a agricultores pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Oitenta e cinco famílias saíram da região Sul para o Estado de Mato Grosso atrás das terras.

O loteamento, no entanto, nunca foi realizado, dando origem a um problema fundiário que até hoje não foi resolvido e vem causando uma série de prejuízos sociais desde então. No fim da década de 80, um surto de malária atingiu a vila que, prejudicada pela longa distância em relação à capital, foi severamente afetada. O socorro demorou a chegar e muitos habitantes morreram.

O surto de malária, associado às longas distâncias, à falta de apoio do poder público e às precárias condições e perspectivas de vida, fez com que a Vila Guariba fosse abandonada por diversas famílias – por volta de 1993, o local virou um vilarejo fantasma e apenas 17 núcleos familiares ainda existiam por ali.

Entre 2003 e 2004, a Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) deu início ao projeto Biodiesel/Guariba. Promovido pelo Ministério de Minas e Energia, a iniciativa buscou fomentar a geração de energias alternativas no Noroeste do Estado e construiu um grande complexo de obtenção de energia limpa na vila.

O projeto foi orçado em R$ 3,16 milhões e tinha participação da Eletronorte, da UFMT e da Fundação Uniselva. A idéia inicial era que a produção de castanha, copaíba e outros produtos extraídos da floresta pudesse ser utilizada para a produção de óleos e energia elétrica - que abasteceria a própria Guariba.

O anúncio do projeto foi recebido com entusiasmo pela população do entorno, que viu na iniciativa a chance de desenvolvimento que a vila nunca teve. Como resultado, várias famílias – de Rondônia, principalmente – buscaram moradia naquele lugar.

A falta de continuidade das ações, a seca de 2005, que diminuiu bastante a produção extrativista, e o aumento dos problemas sociais da região, ocasionado pela rápida explosão demográfica verificada na localidade, provocaram o fim precoce do projeto.

A chegada descontrolada de diversas famílias provocou o “inchaço” de Guariba, agravando os dois grandes problemas da região: a questão fundiária e a violência. Os anos de 2006 e 2007 foram marcados pela ocorrência freqüente de invasões de terra, grilagem, conflitos armados e homicídios.

A vila Guariba é distante de tudo: a sede de Colniza está a 150 quilômetros de distância – cerca de três horas de carro, por estrada de terra – e Cuiabá fica a 1.480 quilômetros. Seu único telefone público estava há três meses sem funcionar quando os membros da Expedição  Guariba-Roosevelt chegaram à região. O distrito não tem ruas asfaltadas e a principal rua do lugar tem seis madeireiras instaladas, que empregam boa parte da mão-de-obra local.
Vista de Guariba, um dos lugares mais importantes da região.
Vista de Guariba, um dos lugares mais importantes da região.
© WWF-Brasil/Juvenal Pereira Enlarge
Vista da rua principal de Guariba. Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
Vista da rua principal de Guariba. Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
© WWF-Brasil/Juvenal Pereira Enlarge
DOE AGORA
DOE AGORA