No Sul do Amazonas, comunitários discutem melhorias na produção de castanha



27 junho 2014    
Antônio Januário de Morais é um dos extrativistas que participou do evento promovido pelo WWF; aqui, ele mostra um ouriço de castanha colhido na Barra de São Manoel
Antônio Januário de Morais é um dos extrativistas que participou do evento promovido pelo WWF; aqui, ele mostra um ouriço de castanha colhido na Barra de São Manoel
© WWF-Brasil / Zig Koch
Levantar informações e sugerir melhorias na produção de castanha da Barra de São Manoel, uma pequena comunidade ribeirinha situada em Apuí, no sul do Amazonas, foi o objetivo de um trabalho de dois dias, promovido pelo WWF-Brasil naquela localidade, durante o mês de maio. 

O objetivo do evento foi mapear, entre outras informações, quais as quantidades mínima e máxima de produção da castanha ocorrida naquele lugar; quem são os extrativistas envolvidos neste trabalho e onde estão os castanhais utilizados pela comunidade.

Para isso, foram reunidos cerca de 20 profissionais, que passaram dois dias discutindo o tema com o apoio de questionários específicos e mapas. 

Este trabalho está sendo conduzido pela empresa baiana Inovatech – Consultoria e Gestão Administrativa. Um de seus proprietários, Edísio Brandão, tem ido pessoalmente à Barra nos últimos meses levantar informações e conhecer a realidade da comunidade.   
 
“Neste primeiro momento, estamos compilando informações e tentando conhecer o ciclo produtivo da castanha na Barra. Num segundo momento, vamos sugerir melhorias, de modo que os comunitários possam vender este produto com um maior valor agregado e, assim, possam gerar prosperidade para eles mesmos”, declarou o especialista.
 
Geração de renda 

Segundo Edísio, o estudo contempla todas as etapas do ciclo da castanha – extração, armazenamento, distribuição e venda – e seu intuito é fazer com que os comunitários dependam menos de ajuda externa e tenham opções sustentáveis de geração de renda.

Ele afirmou que o principal obstáculo para o estabelecimento de uma produção consistente na Barra é a distância dos grandes centros. “Acho que a logística de como armazenar a castanha e levar essa produção aos consumidores é o ponto principal deste trabalho”, disse.

Uma das lideranças da Barra de São Manoel, o agricultor Antônio Fábio Fernandes, o “Juruna”, contou que a discussão sobre a castanha, assim como outros eventos promovidos pelo WWF-Brasil na comunidade, são sempre bem vindos.

“É caro ir para Jacareacanga, Apuí ou Alta Floresta. Por isso é muito bom quando vocês vêm para cá, pois trazem sempre informação e conhecimento para nós. É um privilégio ter vocês aqui”, afirmou. 

Mercados próximos

O analista de conservação do WWF-Brasil Samuel Tararan declarou que, baseado em sondagens iniciais, é possível dizer que a produção de castanha na Barra de São Manoel gira hoje em torno de 10 mil latas de castanha por ano (cerca de 130 toneladas do produto), sem considerar a produção de outras comunidades daquela área. 

“Se a viabilidade econômica da oferta e demanda for positiva, queremos prosseguir com este trabalho, adotando medidas para agregarmos valor ao produto dentro da própria comunidade. Queremos promover não só o aumento da renda, mas também do trabalho e do conhecimento dos comunitários”, explicou.

Samuel lembrou ainda que o poder público – União, governos estaduais e prefeituras - podem ajudar neste processo, auxiliando na aquisição de equipamentos, promovendo capacitações em boas práticas e apoiando o gerenciamento da produção.
 
Além da oficina, também foram realizadas, nas últimas semanas, visitas a mercados compradores próximos, que possam vir a ser tornar parceiros comerciais da Barra de São Manoel - como as cidades de Jacareacanga, no Pará; Apuí, Manicoré e Humaitá, no Amazonas; e Porto Velho, em Rondônia. 

Os próximos passos deste trabalho incluem a redação de um relatório, com todas as informações sobre o assunto sistematizadas; e uma nova oficina na Barra, para apresentar os resultados e discutir possíveis encaminhamentos para este projeto.

Continuidade

A oficina ocorrida em maio é continuidade de um processo iniciado em 2013, quando foram realizadas, na Barra de São Manoel, sondagens sobre quais atividades econômicas os comunitários gostariam que fossem apoiadas ou recebessem suporte do WWF.  

Na ocasião, aconteceu uma oficina que mostrou como os dois temas escolhidos pelos moradores - a produção da castanha e o turismo de base comunitária – poderiam melhorar a vida daquelas famílias a ajudar a conservar os recursos naturais como água, ar e solo da região.   

Além das melhorias no ciclo da castanha, também está em desenvolvimento, na Barra de São Manoel, um projeto de implementação de ações de turismo de base comunitária.
 
A comunidade tem servido ainda, desde o ano passado, como ponto de apoio para uma série de atividades do WWF no entorno Parque Nacional do Juruena, como expedições científicas e base para a doação de equipamentos.
Antônio Januário de Morais é um dos extrativistas que participou do evento promovido pelo WWF; aqui, ele mostra um ouriço de castanha colhido na Barra de São Manoel
Antônio Januário de Morais é um dos extrativistas que participou do evento promovido pelo WWF; aqui, ele mostra um ouriço de castanha colhido na Barra de São Manoel
© WWF-Brasil / Zig Koch Enlarge
Objetivo do estudo é conhecer a cadeia produtiva da castanha e sugerir melhorias
Objetivo do estudo é conhecer a cadeia produtiva da castanha e sugerir melhorias
© WWF-Brasil / Zig Koch Enlarge
A castanheira (Bertholletia excelsa) é uma árvore que se encontra por toda a Amazônia; hoje, porém, por conta do desmatamento, ela só é abundante na Bolívia e no Suriname
A castanheira (Bertholletia excelsa) é uma árvore que se encontra por toda a Amazônia; hoje, porém, por conta do desmatamento, ela só é abundante na Bolívia e no Suriname
© WWF-Brasil /Zig Koch Enlarge
Oficina usou mapas para localizar castanhais e sistematizar informações sobre extração, armazenamento, distribuição e venda de castanha
Oficina usou mapas para localizar castanhais e sistematizar informações sobre extração, armazenamento, distribuição e venda do produto
© WWF-Brasil / Zig Koch Enlarge
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