Conselheiros do MAM participam de capacitação em tema socioambiental



15 outubro 2013    
O rio Juruena, que banha o Mato Grosso, é um dos rios mais importantes da região do MAM
O rio Juruena, que banha o Mato Grosso, é um dos rios mais importantes da região do MAM
© WWF-Brasil/ Adriano Gambarini
Em busca do aperfeiçoamento de sua atuação, alguns membros do Conselho Consultivo do Mosaico da Amazônia Meridional estão participando, desde o primeiro semestre de 2013, do Programa Germinar

Criado por consultores do Instituto EcoSocial em 2003, o programa pretende formar líderes que atuem em organizações do terceiro setor, como líderes comunitários; e de iniciativas da sociedade civil como organizações não governamentais, cooperativas, associações e institutos. Para isso, os responsáveis promovem palestras, atividades artísticas, trabalhos de grupo, vivências e plenárias. 

Por meio de sua participação no curso, os conselheiros do Mosaico da Amazônia Meridional (MAM) querem ganhar subsídios para aperfeiçoar sua atuação dentro do Conselho – e assim contribuir com a conservação daquela região. 

O WWF-Brasil tem apoiado a participação dos conselheiros no programa e também apoia ações de conservação desenvolvidas no Mosaico da Amazônia Meridional desde 2008.

As atividades do Programa Germinar ocorrem em cinco módulos, realizados geralmente de dois em dois meses: “Entendendo a facilitação de processos”; “Conhecendo a organização e facilitando processos”; “Mediando Conflitos”; “Fazendo acontecer”; e “Biografia do Ser Humano”. 

Módulos realizados

A turma de Manaus, na qual participam os conselheiros do MAM, é formada por 11 pessoas, algumas de outras instituições, e já participou dos três primeiros módulos – os dois primeiros ocorridos no Retiro Crosta Rosa, um sítio localizado na área rural de Manaus; e um terceiro na Praia do Tupé, um balneário existente nas imediações da capital. O quarto módulo ocorre no mês de novembro, na Reserva Florestal Adolpho Ducke, na Zona Norte do município.

Uma das participantes da atual turma do Programa Germinar é a gestora do Mosaico do Apuí, Aldeíza Lago. Seu trabalho é supervisionar nove Unidades de Conservação localizadas no sul do Amazonas – uma área que chega a 2,4 milhões de hectares. 

Por conta disso, ela viaja com frequência para áreas remotas da Amazônia e interage com populações muito diversas como empresários, ribeirinhos, indígenas, servidores públicos, extrativistas, autoridades de vários níveis e ambientalistas – e por isso lida com conflitos de toda ordem.  

“O trabalho nas comunidades do rio Aripuanã é muito difícil. Por conta do Germinar, estou, aos poucos, aprendendo a ouvir mais e respeitar todas as opiniões. Hoje consigo ver melhor as diferenças entre as pessoas, entendendo o que precisa ser considerado para levar as discussões adiante”, explicou Aldeíza.

A gestora contou também que a troca de experiências entre os colegas são muito boas. “Somos pessoas com backgrounds bem diferentes. Mas as metodologias utilizadas são bem interessantes, conseguem nos envolver”, afirmou.  

Arco do Desmatamento

Para a analista de conservação do WWF-Brasil Jasy Abreu, o grande mérito desta ação é formar capital social para atuar na área do Mosaico da Amazônia Meridional.

“Não podemos esquecer que os conselheiros do MAM trabalham no Arco do Desmatamento (região amazônica situada entre os estado do Amazonas, Pará, Mato Grosso e Rondônia, conhecida pelo alto índice de conflitos e desmatamento). Esta área requer um atendimento especial, um olhar diferenciado”, disse Jasy.

Segundo a especialista, é preciso capacitar as pessoas da região para lidar com os temas complexos que atingem a Amazônia. “Hoje, é o Mosaico da Amazônia Meridional que segura o avanço do agrobusiness para o norte do País. Então as pessoas têm de estar preparadas para lidar com algumas questões, devem saber se portar em situações mais delicadas”, afirmou.

Sobre o Mosaico da Amazônia Meridional

No dia 25 de agosto de 2011, o Governo Federal reconheceu, após discussões e conversas que tiveram início em 2006, o Mosaico da Amazônia Meridional. Com uma extensão de 7 milhões de hectares e 40 unidades de conservação reunidas, este mosaico abrange áreas protegidas do sul do Amazonas, norte e noroeste do Mato Grosso e oeste de Rondônia.

Por meio do mosaico, os gerentes das unidades de conservação e entes públicos como secretarias estaduais de Meio Ambiente, em conjunto com o governo federal, podem partilhar recursos e efetuar planejamentos em conjunto, otimizando a gestão do território. 

No caso da Amazônia Meridional, o propósito maior é evitar que as pressões ambientais vindas principalmente do estado do Mato Grosso e do sudoeste do Pará – pecuária extensiva, exploração de madeira ilegal, garimpo dentro de Unidades de Conservação, presença mínima do poder público, entre outros – possam “subir” para o Norte do Brasil.

Integram o Mosaico da Amazônia Meridional, entre outras Unidades de Conservação, o Parque Nacional do Juruena; o Parque Nacional dos Campos Amazônicos; e as nove Unidades localizadas no Sul do Amazonas que compõem o Mosaico do Apuí.
O rio Juruena, que banha o Mato Grosso, é um dos rios mais importantes da região do MAM
O rio Juruena, que banha o Mato Grosso, é um dos rios mais importantes da região do MAM
© WWF-Brasil/ Adriano Gambarini Enlarge
Conselheiros definiram desafios e prioridades de trabalho para a região da Amazônia Meridional
O Conselho do MAM delibera sobre as atividades de conservação que serão desenvolvidas naquela área
© WWF-Brasil/ Samuel Tararan Enlarge
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