Conhecimentos aprimorados para conservar a Amazônia

Com nova metodologia, curso de pilotagem de drones realizado pelo WWF-Brasil em Xapuri, no Acre, capacita 19 integrantes de instituições da sociedade civil e órgãos do poder público

© ODAIR LEAL / WWF- BRASIL

 

07 de dezembro  de 2021

 

O WWF-Brasil realizou um novo curso de pilotagem de drones, capacitando para o uso dessa tecnologia mais 19 membros de diversas organizações da sociedade civil e do poder público que atuam na proteção da Amazônia. O treinamento ocorreu na última semana de outubro, em Xapuri, no Acre, e terminou com os participantes totalmente aptos para a utilização dos equipamentos para fins de vigilância e monitoramento territorial.

O uso de drones - e de novas tecnologias de forma geral - tem sido um importante diferencial em projetos voltados para a proteção territorial e para prevenção e combate ao fogo na Amazônia. Desde o fim de 2019, o núcleo de respostas emergenciais do WWF-Brasil trabalha na expansão da adoção de ferramentas de monitoramento e já doou 20 drones para 18 organizações de cinco estados amazônicos. O primeiro curso de pilotagem de drones, para 40 pessoas, foi realizado em dezembro daquele ano, em Porto Velho, Rondônia.

Desta vez, participaram da capitação membros de organizações da sociedade civil, como a Amoprex (Associação dos Moradores e Produtores da Reserva Extrativista Chico Mendes em Xapuri), Amopreab (Associação de Moradores e Produtores da Reserva Extrativista Chico Mendes em Assis Brasil), SOS Amazônia e Comissão Pró-Índio (CPI), além de integrantes do poder público, como do Ministério Público do Acre, da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e da Polícia Militar.

"Eu já havia participado do primeiro curso, em Rondônia, mas esse segundo treinamento serviu como uma reciclagem e foi muito importante para aprender a usar todos os recursos do drone e aumentar a segurança nas operações", diz Jurandir Rodrigues de Araújo, membro da Amopreab.

"O que aprendi vai nos ajudar muito na utilização do equipamento em campo, no monitoramento e em outras atividades. Temos muito desmatamento e muitas queimadas criminosas por aqui. Às vezes, o monitoramento por terra é perigoso porque podemos dar de cara com os criminosos, mas com o drone eles nem sabem que estão sendo monitorados", acrescenta Araújo. A Amopreab recebeu um drone por meio de um projeto com o WWF-Brasil.

Artur Leite, coordenador do núcleo técnico-científico da área ambiental do Ministério Público do Acre (MP-AC), conta que participou do treinamento pela primeira vez, embora já venha utilizando desde 2019 o drone doado pelo WWF-Brasil à instituição.

"Antes da aquisição do drone, eu participei de um curso oferecido pelo MP de Mato Grosso. Dois membros da nossa equipe também haviam sido treinados pelo Batalhão de Policiamento Ambiental do Acre, que compartilhou o conhecimento adquirido na capacitação anterior do WWF-Brasil. Mas este novo treinamento foi muito importante para aprimorar e diversificar o uso do equipamento", conta Leite.

Ele salienta que o treinamento aumentará a amplitude do uso dos drones pelo órgão para o combate a uma imensa gama de crimes ambientais. "Nos outros cursos, trabalhamos exclusivamente em áreas de floresta. Mas, no MP, nossa demanda é tanto rural como urbana e o treinamento que recebemos agora contemplou essa necessidade", conta.

Alta demanda

Leite relata que a capacitação não ficou restrita à operação e voo. Os participantes aprenderam a integrar o drone a outros recursos que vão permitir o aprimoramento de análises das áreas mapeadas pelo MP-AC.

"Aprendemos a utilizar diferentes ferramentas do equipamento, em integração com softwares. O curso também teve um efeito multiplicador: como nos passaram um excelente material didático, outros colegas que não puderam participar já estão aprendendo a usar todos os recursos do drone."

Com isso, de acordo com Leite, o treinamento vai permitir um uso mais intenso do drone pelos membros da equipe multidisciplinar do MP-AC, refinando o trabalho. O equipamento também será útil para policiais militares que atuam na equipe técnica do MP-AC, para reconhecimento de terrenos antes da realização de operações de combate a crimes.

"A demanda já é tão alta que vamos adquirir outro drone. Estamos mapeando várias áreas urbanas com ocupações irregulares, empreendimentos sem licenciamento ambiental, lixões clandestinos, aterramentos de áreas protegidas ou loteamentos clandestinos. Com os novos recursos obtidos em Xapuri, podemos mapear toda a área de interesse, comparar cenários e produzir provas", afirma.

O treinamento envolveu também a manutenção do drone, permitindo o prolongamento da vida útil do aparelho. "O curso foi muito completo. Tivemos teoria pela manhã e prática em seguida. Todos realizaram sobrevoos e aprenderam ajustar o sistema de localização do drone, para recuperá-lo em caso de perda. Nos sentimos mais confiantes para operá-lo faz toda a diferença", completa Leite.

Efeito multiplicador

Segundo Osvaldo Barassi Gajardo, especialista em Conservação do WWF-Brasil, que coordenou o treinamento em Xapuri, o novo curso foi oferecido porque alguns dos participantes da primeira formação, em Porto Velho, sentiram necessidade de reforçar os conhecimentos. Diante dessa oportunidade, também foram chamadas para participar outros parceiros que não tinham tido contato com essa tecnologia.

"A metodologia que conseguimos desenhar permitiu que uma pessoa que nunca tocou em um drone pudesse, em apenas três dias, operá-lo de forma muito aprimorada, com segurança, para monitoramento territorial, vigilância e fiscalização, adquirindo ainda a capacidade para planejar voos por meio de um software. Demos também a base para que posteriormente façam mapeamentos e processem as imagens", explica Gajardo.

Além de dois instrutores do WWF-Brasil, o curso teve a participação de um instrutor do Batalhão de Policiamento Ambiental (BPA) da Polícia Militar do Acre, o sargento Márcio Brasil. "Ele participou do primeiro curso em 2019 e se especializou bastante nos últimos anos, tornando-se uma excelente referência no Estado", diz Gajardo.

"Esse efeito multiplicador tem se mostrado muito importante desde que realizamos o primeiro curso, em 2019, dentro da nossa estratégia de proteção territorial. Com um treinamento mais aprimorado, os participantes podem disseminar o conhecimento em suas organizações, ampliando o uso da tecnologia", conclui.

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