Impactos na vida silvestre



Mudanças climáticas e vida silvestre

O aquecimento global eleva a temperatura a níveis inadequados para a sobrevivência de muitas espécies.

Aquelas capazes de se movimentarem rapidamente provavelmente tentarão encontrar um ambiente mais adequado.

No entanto, muitas delas não serão capazes de mudar de ambiente ou não terão para onde ir.

As temperaturas mais elevadas causam impacto nas espécies que dependem diretamente da temperatura – como é o caso dos peixes – e provocam mudanças em sua distribuição.

Algumas espécies terrestres já invadiram os habitats de maior altitude, porém a expectativa é que muitas delas simplesmente desapareçam de seus habitats atuais.

O aumento da temperatura e a redução das chuvas em algumas áreas podem, também, reduzir o habitat adequado durante os meses secos e quentes.

Isso pode contribuir para a chegada de espécies exóticas invasoras, que podem competir com as espécies nativas e dominar seu habitat.
 
© WWF-Brasil / Adriano Gambarini
Espécies que dependem diretamente da temperatura, como os peixes, serão as primeiras a sofrer os impactos das mudanças no clima.
© WWF-Brasil / Adriano Gambarini

Mudanças climáticas e ecossistemas de água doce

Uma quantidade menor de chuvas durante os meses de seca pode afetar gravemente os numerosos rios e outros sistemas de água doce da Amazônia, bem como a população humana que depende desses recursos.

Um possível e desastroso impacto da redução das chuvas é a mudança do processo de entrada de nutrientes nos igarapés e rios, o que poderia afetar enormemente os organismos aquáticos.

Um clima mais variável e eventos climáticos mais extremados provavelmente também significam que as populações de peixes amazônicos precisarão lidar com temperaturas elevadas com maior frequência e, em alguns casos, com condições ambientais que são potencialmente letais.

O que dizem os especialistas
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas - IPCC sugere que a inundação, associada com a elevação do nível do mar, terá impacto substancial sobre as terras baixas, como é o caso do delta do rio Amazonas.

Na verdade, ao longo dos últimos 100 anos, o índice de elevação do nível do mar tem sido de 1 mm a 2,5 mm por ano. Esse índice pode aumentar até 5 mm por ano.

O aumento do nível do mar, as temperaturas elevadas, a mudança e o descontrole das chuvas provavelmente provocarão grandes mudanças em habitats das espécies, como os ecossistemas de mangue.

Esses fatores também podem afetar os recursos pesqueiros da região, os quais dependem do habitat do mangue, que é usado como berçário e refúgio.

Os pescadores do rio Tocantins, por exemplo, optaram por estratégias de pesca que são específicas para as variações sazonais do comportamento dos peixes e sua reprodução. Com as mudanças climáticas essa dinâmica deve ser drasticamente modificada.

As mudanças climáticas podem provocar um declínio no número ou a extinção dessas espécies. Já as mudanças nas flutuações sazonais podem alterar o padrão migratório e a ecologia das espécies de peixes e mudar o resultado da pescaria.

Mudanças climáticas e agricultura

Os impactos das mudanças climáticas não se limitam aos ecossistemas naturais. De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas - IPCC, as previsões de temperaturas mais quentes e de mudanças na frequência das chuvas vão, sem dúvida, impactar o setor agrícola e a exploração madeireira na Amazônia.

A plantação de subsistência será particularmente afetada. Isso é especialmente grave, pois a agricultura é a base do estilo de vida de muitas comunidades amazônicas e a principal atividade das comunidades rurais, responsável por parte considerável da renda.

Impactos esperados das mudanças climáticas:

  • A redução das chuvas durante os meses críticos da seca pode provocar o aumento da evapotranspiração e o surgimento de pestes e doenças, que devem afetar negativamente as colheitas agrícolas.
     
  • As áreas de plantações mais extensas (com um custo mais elevado) provavelmente terão que satisfazer os atuais níveis de demanda num mundo mais quente. Os cientistas estimam que, para satisfazer essa demanda, a área de plantação na Amazônia terá que aumentar até 38%.
A agricultura de subsistência na Amazônia está particularmente ameaçada pelo aquecimento e pela seca durante as estações mais críticas.

No Nordeste brasileiro, no entanto, a situação já é grave. Mais de 51 milhões de pessoas habitam essa região, e 21 milhões delas estão no semiárido, onde existe uma tendência a ocorrências periódicas de seca.

Mesmo as mudanças climáticas leves terão grandes impactos sobre essa região, com sérias consequências para as populações humanas.

Mudanças climáticas e saúde humana

As pessoas que vivem na Amazônia não estão imunes aos impactos das mudanças climáticas na região.

Além das consequências para a biodiversidade, os habitats, a agricultura e a indústria madeireira, é provável que as mudanças climáticas provoquem um aumento da ocorrência de eventos climáticos extremos na Amazônia, com maior impacto sobre os seres humanos.

  • Mudanças climáticas e eventos climáticos extremos, como enchentes, podem levar ao surgimento de mais doenças vetoriais, como malária e dengue, bem como ao aumento da incidência de doenças infecciosas, como cólera e meningite.
     
  • Secas provocadas por mudanças climáticas vão aumentar o risco de incêndios florestais com impacto direto sobre os humanos, em decorrência da perda de suas posses e meios de vida e da inalação de fumaça.
     
  • A temperatura elevada pode, ainda, provocar o aumento da distribuição e crescimento de plantas alergênicas na região.
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