Agricultura e pecuária



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Árvores derrubadas
© WWF-Brasil/Cláudio Maretti

Os custos invisíveis da soja e da carne

Todos os anos, o fogo rouba partes da Amazônia. Esse é o traço mais marcante do avanço da agricultura (principalmente da soja) e da pecuária. Ambas são atividades econômicas importantes.

As queimadas, que são visíveis mesmo do espaço, reduzem a cinzas tudo o que encontram pelo caminho, inclusive as florestas.

Infelizmente, isso é apenas um aspecto do problema.

Durante a estação seca, que vai de maio a setembro, o Brasil chama a atenção do mundo pelos incêndios florestais.

A queimada é uma prática de manejo agrícola usada para abrir espaço para as plantações de subsistência (a chamada agricultura de corta-e-queima) e para as pastagens de gado. O fogo destrói as áreas naturais de cerrado e floresta tropical.

Causas das queimadas

Na Amazônia brasileira, as queimadas geralmente se espalham floresta adentro a partir das terras agrícolas adjacentes. Entre os anos 2000 e 2002, os incêndios florestais quase triplicaram, passando de 16 mil para 42 mil casos por ano.

Essas queimadas abrem espaço para a criação de gado, que é a principal causa da conversão direta das florestas úmidas tropicais.

Os produtores de soja aos poucos avançam sobre as terras de produção de gado e empurram a pecuária para novas áreas. Junto com a pecuária, o desmatamento vai tomando espaço da floresta.

Apresentando: o grão maravilha

A soja (Glycine max) é a responsável pela produção de mais de um quarto de todo o óleo vegetal consumido no mundo.

Devido ao seu alto teor de proteína, a soja também é o grão preferido para a produção de ração para animais domésticos.

Com tanta importância na indústria alimentícia mundial, a demanda pelo grão experimenta um rápido crescimento.


Panorama
A demanda mundial por soja e seus derivados (óleo vegetal, ração animal) deve continuar aumentando com o mesmo vigor. Provavelmente o aumento deve ser de 60% até 2020, chegando a mais de 300 milhões de toneladas anuais.

Como a China e os Estados Unidos possuem espaços limitados de terra arável, a expansão futura acontecerá, principalmente, nos países da América do Sul: Argentina, Bolívia, Brasil e Paraguai.

A pavimentação de rodovias na Amazônia, como a BR-163, também pode contribuir para a expansão do cultivo de soja. Com a diminuição de custos de transporte, a tendência é que a produção avance cada vez mais para dentro da floresta.

A expectativa é que entre 22 mil km² e 49 mil km2 de floresta amazônica sejam desmatados para abrir espaço para as pastagens e o desenvolvimento agrícola, caso não se adotem medidas para o planejamento do espaço e o cumprimento da lei.

Motivos para a expansão do cultivo da soja:

  • Crescimento da demanda mundial, o que levou a soja a se tornar a commodity de exportação mais importante do Brasil e da Bolívia.
     
  • Fazer cumprir a lei é pouco exigido, o que facilita a aquisição ilegal ou irregular de terras, normalmente públicas, para a produção de soja.
     
  • Incentivos perversos, que favorecem a produção de matérias-primas (como a soja) em vez de produtos processados.
     
  • Arranjos do comércio global e barreiras comerciais.
     
  • Crédito internacional barato, o que permite que os comerciantes de soja ofereçam pacotes tecnológicos atraentes aos produtores – mesmo quando a soja não é a cultura mais adequada do ponto de vista ecológico ou de segurança alimentar.
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Referências bibliográficas

1Barreto et al. 2005. Human Pressure in the Brazilian Amazon. Imazon, Brasil.
2Jan Maarten Dros. 2004. Managing the soy boom: Two scenarios of soy production expansion in South America. AIDEnvironment, Amsterdã.
3Brazilian Forum of NGOs and Social Movements for the Environment and Development. Forests Work Group. 2005. Relation between expansion of soy plantations and deforestation – Understanding the dynamics. Sumário executivo
4
Jan Maarten Dros. 2004. Managing the soy boom: Two scenarios of soy production expansion in South America. AIDEnvironment, Amsterdã.
5
Jan Maarten Dros. 2004. Managing the soy boom: Two scenarios of soy production expansion in South America. AIDEnvironment, Amsterdã.
6Landers J., and Weiss J. Draft. Study on the Conversion of Degraded Tropical Pastures to Productive Crop x Livestock Rotations and their Effect on Mitigating Deforestation.
7
Código Florestal, Ministério de Meio Ambiente, 1965, atualizado até 1998, por meio de Medida Provisória 2001
8
Jan Maarten Dros. 2004. Managing the soy boom: Two scenarios of soy production expansion in South America.
AIDEnvironment, Amsterdã.
9Del Carmen Vera Dias, M, et al. 2002. O Prejuízo Oculto do Fogo, Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia. IPAM

10Superintendencia Agraria. 2002. Mapa de cobertura y uso actual de la tierra, La Paz, 2002, cited in : El avance de la frontera agricola no se detiene.Conservation International.
www.conservation.org
11Banco Mundial, 2002
12Galinkin, M. (ed.). 2002. Geogoiás, Estado Ambiental de Goias 2000. Fundação Cebrac, Brasília.
13Fearnside, 2000
14Fearnside, 2000
15Nepstad, D. and J. J.P. Capobianco. 2002. Roads in the Rainforest: Environmental Costs for the Amazon. Instituto de Pesquisa de Amazônia and Instituto Socioambiental, Belém.

 

  • PEGADA ECOLÓGICA E SOCIAL DA SOJA
     

    • Perda de áreas naturais - A expansão do cultivo da soja é um agente poderoso da perda florestal. Como a produção do grão é uma atividade intensiva, a área de cultivo de soja no Brasil aumentou 57 vezes entre 1961 e 2002, sendo que o volume de produção aumentou 138 vezes.
       
    •  Erosão e o consequente assoreamento dos rios e das áreas úmidas, causados pela remoção indiscriminada da vegetação ao longo dos cursos d’água.
       
    • Poluição da superfície da água com pesticidas é uma ameaça para as populações humanas e a vida aquática. Existe, por exemplo, a preocupação de que agroquímicos como os herbicidas possam contaminar os lagos e lagoas, pessoas e peixes nas planícies inundadas do rio Amazonas.


    •  Impactos sociais – As condições de trabalho para os trabalhadores empregados em grandes empreendimentos de produção de soja costumam ser precárias. Além disso, maior parte da renda obtida com a produção do grão fica concentrada nas mãos de grandes empresas.
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