Parque Nacional Grande Sertão Veredas faz 30 anos | WWF Brasil

Parque Nacional Grande Sertão Veredas faz 30 anos



12 Abril 2019   |  
Centenas de espécies sobrevivem graças às veredas
© Bento Viana
Renata Andrada Peña

A paisagem é espetacular: chega quando menos se espera. A água é em abundância: são veredas a perder de vista, rodeando cada canto que se olhe. Dela, sobrevivem centenas de espécies ameaçadas de extinção como a onça-pintada, o tamanduá-bandeira e o lobo-guará. Toda essa rica biodiversidade está protegida desde 12 de abril de 1989, quando 84 mil hectares formaram o Parque Nacional Grande Sertão Veredas, em Minas Gerais. Hoje, o Parque faz 30 anos e o Cerrado agradece.

“Foi muito importante essa Unidade de Conservação ter sido criada numa região de expansão da fronteira agrícola, com intensa ocupação do agronegócio. Essa área protegida é muito importante para a biodiversidade do Cerrado e também para os recursos hídricos. Alí nasce o rio Carinhanha. Quando ele desemboca no rio São Francisco, o velho Chico aumenta em 20% o seu volume”, explica Kolbe Soares, analista de Conservação do WWF-Brasil.

Elson Barbosa dos Santos, guia no Parque, destaca a importânica dos recursos hídricos e espécies medicinais do Cerrado, que ficam protegidas. "Embaixo da região do parque está o aquifero Urucuia, muito importante para a manutenção dos rios da região como o Carinhana, Itaguari e tanto outros. Graças ao Parque também estão protegidas diversas espécies medicinais do Sertão".  

Em 2004, o Parque Grande Sertão Veredas foi ampliado e passou a ter mais de 230 mil hectares, estendo-se por parte dos municípios de Chapada Gaúcha, Formoso e Arinos, em Minas Gerais e Côcos, na Bahia. Assim, é atualmente um dos maiores parques do Cerrado, garantindo, além da proteção de centenas de espécies da fauna e flora, o desenvolvimento de pesquisa científica, educação ambiental, o contato com a natureza, o desenvolvimento regional em bases sustentáveis e a preservação dos povos tradicionais, comunidades indígenas, seus saberes e cultura.

A existência dessa área protegida também é uma oportunidade de desenvolvimento sustentável.“Há um enorme potencial de aumento do ecoturismo na região pelas suas belezas, pela possibilidade de se ver o Cerrado preservado e também por conta da cultura dos povos da região e literatura”, diz Kolbe Soares. “Na região, é realizado anualmente, no mês de julho, o Encontro dos Povos do Grande Sertão Veredas. É muito importante conservar essa riqueza cultural e social”, completa Soares.

"É um grande prazer falar dessa UC porque é falar da riqueza da biodiversidade e também de história das comunidades que ainda guardam as tradicoes culturais do povo do Sertao", diz César Víctor, da Fundação Pró-Natureza (Funatura). 

O Parque recebeu esse nome em homenagem a uma das mais importantes obras literárias brasileiras, o romance “Grande Sertão: Veredas”, escrito em 1956 por João Guimarães Rosa. No livro, o escritor mineiro retrata com extrema sensibilidade a realidade regional. Guimarães Rosa tem mesmo razão: “Sertão é isto: o senhor empurra para trás, mas de repente ele volta a rodear o senhor dos lados. Sertão é quando menos se espera”.

WWF-Brasil e o Parque Nacional Grande Sertão Veredas

O Parque Nacional Grande Sertão Veredas está localizado no norte/noroeste de Minas Gerais e sudoeste Bahia, abrangendo uma área de 231.668 hectares. Desde 2010, o WWF-Brasil desenvolve na região o Projeto Sertões com foco na melhoria da gestão de áreas protegidas, valorização de cadeias produtivas agroextrativistas com boas práticas agrícolas. Mais recentemente apoiamos o Parque e o Mosaico em parceria com o Fundo de Parceria para Ecossitemas Críticos (CEPF em inglês). 

Os trabalhos são realizados em parcerias com as cooperativas agroextrativistas e associações comunitárias do Mosaico Sertão Veredas Peruaçu, além de outras organizações não governamentais socioambientais e órgãos de governo, como as 12 prefeituras da região, além do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais. 

No último ano, a construção de uma unidade de beneficiamento de frutos do cerrado e frutos de quintais no Núcleo Peruaçu e a criação da Cooperativa dos Agricultores Familiares e Agroextrativistas do Vale do Peruaçu foram umas das ações mais importantes. Além disso, foi dado apoio para implementação do Cadastro Ambiental Rural na região que resultou no cadastramento de aproximadamente 10 mil propriedades. Outro destaque foi a realização de um estudo de análise da efetividade de 69 Unidades de Conservação estaduais de Minas Gerais.

Serviço
O município de Chapada Gaúcha, em Minas Gerais, o ICMBio, a Funatura, o Instituto Rosa e Sertão e parceiros organizam uma programação de três dias – de 11 a 13 de abril - para comemorar o aniversário. Haverá diversas atividades com a comunidade local e visitantes como plantio de mudas, trilhas, exibição de vídeos e debates.
Centenas de espécies sobrevivem graças às veredas
© Bento Viana Enlarge
Centenas de espécies vegetais do Cerrado estão protegidas no Parque Grande Sertão Veredas
© Bento Viana/WWF-Brasil Enlarge
Na região, é realizado anualmente, no mês de julho, o Encontro dos Povos do Grande Sertão Veredas
© André Dib/WWF-Brasil Enlarge
Na região do Parque vivem comunidades indígenas e povos tradicionais
© André Dib/WWF-Brasil Enlarge
A onça-pintada é uma das espécies ameaças de extinção que habita o Parque
© Bento Viana/WWF-Brasil Enlarge
O lobo-guará é uma das espécies do Cerrado ameaçada de extinção
© Bento Viana/WWF-Brasil Enlarge
Chuveirinho, Paepalanthus chiquitensis Herzog
© Marcelo Trovó Lopes de Oliveira Enlarge

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