São Paulo aprova ações para diminuir o consumo de plástico | WWF Brasil

São Paulo aprova ações para diminuir o consumo de plástico



11 Abril 2019   |  
Participação do WWF-Brasil durante reunião na Câmara Municipal de São Paulo
© Vagner Magalhães

Por WWF-Brasil

A Câmara Municipal de Vereadores de São Paulo vai enviar uma manifestação ao Governo Federal endossando a proposta de assinatura de um acordo global legalmente vinculante para zerar o vazamento de plástico na natureza até 2030.  A decisão foi aprovada na manhã dessa terça-feira (9) pela Comissão Extraordinária de Meio Ambiente da Casa, presidida pelo vereador Xexéu Tripoli (PV).

A Comissão promoveu o encontro para discutir o vazamento de resíduos plásticos para a natureza. Xexéu é autor de projeto de lei que proíbe o uso de canudo plástico no município de São Paulo (PL 99/2018). A proposta já foi aprovada com ampla maioria em primeiro turno e a votação em segundo turno está prevista para esta semana.

A assinatura de um acordo global para evitar o despejo de resíduo plástico na natureza é parte de uma campanha da Rede WWF que visa superar a crise estabelecida pela explosão do uso e do descarte desse material. De acordo com estudo elaborado pelo WWF, metade do plástico existente hoje foi fabricado a partir do ano 2.000 e 75% de todo o plástico produzido no mundo já foi descartado.

O Brasil é, segundo dados do Banco Mundial, o quarto maior gerador de resíduo plástico do planeta (11,3 milhões de toneladas por ano), atrás dos Estados Unidos (70,8), China (54,7) e Índia (19,3). Apesar de uma boa coleta do lixo plástico, 91% é coletado, apenas 1,2% de todo o resíduo plástico no Brasil é efetivamente reciclado e reintroduzido na cadeia como um novo produto. “Se imaginarmos que o primeiro plástico fabricado no mundo ainda está em algum lugar, temos ideia do tamanho do problema”, disse o vereador Xexéu.

No contexto de São Paulo, a assessora da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (Amlurb) Márcia Metran lembrou que o município aderiu ao Compromisso Global por uma Nova Economia do Plástico. Assim, o Estadose junta a governos, ONGs e outras 250 organizações, incluindo fabricantes, marcas, varejistas e recicladores de embalagens do mundo que se comprometem a erradicar o desperdício e a poluição por plásticos.

“A poluição por plástico no meio ambiente precisa ser encarada como uma crise mundial. Para superar o problema, precisamos ir além de ações individuais dos consumidores. Precisamos de uma mudança sistemática global, envolvendo governos, indústria, comércio, empresas de coleta de resíduos e com o apoio de consumidores”, disse o analista de Políticas Públicas do WWF-Brasil Warner Bento Filho, que apresentou à Comissão o estudo Solucionar a poluição plástica: transparência e responsabilização. O relatório mostra que, se nada for feito, em pouco tempo haverá mais plástico do que peixes nos oceanos. O estudo também conclui que a poluição causada pelos plásticos é um problema transfronteiriço que precisa ser enfrentado por todos os países.

Por exemplo, de acordo com o gerente de Vida Silvestre da ONG Proteção Animal Mundial, João Almeida, informou que cerca de 640 mil toneladas de equipamentos de pesca são perdidas ou abandonadas todos os anos nos oceanos, o que resulta no emaranhamento de cerca de 140 mil animais, entre baleias, golfinhos, tartarugas e peixes.

A expectativa é que o acordo seja aprovado na Assembleia Geral da ONU, que ocorre em setembro. Uma petição online (disponível aqui) exigindo que os governos firmem o tratado já tem mais de 400 mil assinaturas em todo o mundo. No Brasil, já conta com o apoio de 16,5 mil pessoas. Assine a petição você também!

Participação do WWF-Brasil durante reunião na Câmara Municipal de São Paulo
© Vagner Magalhães Enlarge
O analista de Políticas Públicas do WWF-Brasil Warner Bento Filho, que apresentou à Comissão o estudo Solucionar a poluição plástica: transparência e responsabilização.
© Vagner Magalhães Enlarge

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