Integração Ambiental Social e de Governança para bancos



17 março 2017    
Integração Ambiental Social e de Governança para bancos
© WWF-Brasil
Claramente, entramos na era antropogênica, na qual a atividade humana tem profundos impactos sobre a biodiversidade, os recursos naturais e o clima. O Relatório Living Planet Report de 2012 do WWF indica que a pegada ecológica da humanidade excedeu a capacidade regenerativa da Terra em 50 por cento em 2008 e irá ultrapassá-la em 100 por cento em 2030 sob um cenário de business-as-usual. Isso significa que seria necessário o equivalente a dois planetas Terra em 2030 para atender as necessidades da humanidade, a menos que haja uma mudança significativa no business-as-usual.

Os bancos entendem que o consumo de capital em vez de renda não é sustentável. O mesmo ocorre com a capacidade regenerativa da Terra. O business-as-usual não é mais aceitável, sendo necessário mudar para uma economia global mais sustentável. Isso obriga os bancos a integrar as questões Ambientais, Sociais e de Governança (ESG, da sigla em inglês Environmental, Social and Governance) em suas atividades. A era antropogênica apresenta riscos e oportunidades para os bancos. Há riscos no crédito que podem resultar de padrões climáticos mais severos que teriam impacto na infraestrutura ou na produção agrícola.

O estresse hídrico pode afetar as atividades produtivas em diversos setores. Regulações poderiam reduzir o valor de ativos de carbono ou de infraestruturas relacionadas ao carbono. Há também o potencial risco da reputação ter impacto sobre o valor da marca, o que pode ser fundamental para os bancos que se financiam com depósitos de varejo. Além dos riscos, a era antropogênica cria inúmeras oportunidades para os bancos. A transição para uma economia com restrição de carbono cria necessidades de financiamento para energia renovável e eficiência energética.

É necessário construir e fortalecer uma infraestrutura de transporte sustentável. Os sistemas de gestão de água irão se tornar mais importantes. A inclusão financeira da base da pirâmide é mais uma oportunidade e pode ser combinada com soluções domiciliares de baixa emissão ou com atividades de regeneração florestal controladas localmente, que também têm benefícios ambientais positivos.

Bancos bem geridos devem focar em riscos e oportunidades, e assim, podem se tornar instituições fundamentais para a mudança do business-as-usual para um futuro sustentável. Eles podem fazer isso incentivando seus clientes em questões ESG, deslocando fluxos de capital para atividades mais sustentáveis e criando novos produtos que apresentem características relacionadas à ESG. Alguns bancos estão apenas no início de sua jornada ESG e o WWF agradece a oportunidade de contribuir para o avanço nesta frente. Gostaríamos de agradecer ao Credit Suisse por seu apoio como patrocinador deste Guia. 
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