Moradores locais ajudam a conservação da Serra do Urubu-Murici



14 dezembro 2021    
Maria Rita Rosa dos Santos, liderança feminina do assentamento Dom Hélder Câmara (Murici-AL)
© SAVE Brasil
No Nordeste, ao norte do rio São Francisco, está o Centro de Endemismo de Pernambuco (CEP), a porção menos protegida e mais degradada de toda a Mata Atlântica. 

Por WWF-Brasil


E é nessa região que o Projeto Mata Atlântica do Nordeste, desenvolvido pela SAVE Brasil, conta com a parceria do WWF-Brasil e tem como meta restaurar 70 hectares desse bioma, até 2023, na paisagem Serra do Urubu-Murici. Os trabalhos de conservação geram benefícios socioeconômicos para a população local e conservam a biodiversidade. 

E o trabalho de conservação e restauração só é possível graças ao envolvimento direto das pessoas que vivem na região. Algumas dessas histórias foram compiladas em uma publicação lançada hoje: HISTÓRIAS DA PAISAGEM SERRA DO URUBU-MURICI: Conservação na Mata Atlântica no Nordeste Brasileiro.

BAIXE AQUI: HISTÓRIAS DA PAISAGEM SERRA DO URUBU-MURICI

Neste material conheceremos um pouco mais da história da Maria Rita Rosa dos Santos, mais conhecida como Irmã Rita, uma das líderes do assentamento Dom Hélder Câmara, e que produz café, frutas e Pancs (Plantas alimentícias não tradicionais) em um sistema agroflorestal. Ela diz se orgulhar dos trabalhos de conservação na região. "Já tenho 14 pés de palmito jussara, ameaçado de extinção, no meu lote”, afirma Rita.

Também veremos um pouco da história do Zezito, nascido em Maraial (PE). Ele trabalha diretamente na conservação do local e comemora o retorno de algumas aves em regiões reflorestadas e faz parte da equipe da SAVE Brasil. “Se eu pudesse, todas as nascentes de água do país estariam cobertas de árvores”, diz José Antônio Vicente Filho.

A publicação ainda nos apresenta as histórias de Jaqueline e Jaciele, que são apaixonadas por passarinhar e dividem a rotina entre dar aulas, estudar e a condução de passeios para o avistamento de aves.
E também do brigadista Antônio Nazário da Silva, que diariamente realiza rondas na região para monitorar possíveis focos de incêndio ou qualquer outra ameaça para a biodiversidade local.

Corredor
Juntas, Murici e Serra do Urubu abrigam 18 espécies de aves endêmicas e ameaçadas de extinção. Por isso, são consideradas pela BirdLife International/SAVE Brasil, como Áreas Importantes para a Conservação de Aves e da Biodiversidade. 

Os dois núcleos formam um potencial corredor florestal entre Alagoas e Pernambuco. Potencial porque, em linha reta, os dois territórios estão distantes apenas 30 quilômetros um do outro e poderiam formar, caso unidos, uma ampla área privilegiada de remanescentes de Mata Atlântica, mas a vegetação entre eles é fragmentada.

Histórico
Em 2011, uma área de 355 hectares foi reconhecida como Reserva Particular do Patrimônio Natural, a RPPN Pedra D’Antas. O local, no município de Lagoa dos Gatos (PE), foi comprado pela SAVE Brasil, e transformado na RPPN para a conservação das espécies.

A região é conhecida pela grande variedade de aves e em 2013, a SAVE demarcou uma trilha para observação de pássaros. E com o aumento da demanda de visitantes dois anos depois inaugurou o Centro de Visitantes.

O Jardim de Beija-Flores, um local onde as pessoas têm a oportunidade de observar mais de 150 espécies de aves mais de perto, das quais mais de 20 são beija-flores, foi inaugurado em 2017. E recentemente, foi inaugurada uma torre de observação de aves em meio à trilha. Estes avanços tornam a comunidade local e turistas mais próximos da biodiversidade local.

 
Maria Rita Rosa dos Santos, liderança feminina do assentamento Dom Hélder Câmara (Murici-AL)
© SAVE Brasil Enlarge
José Antônio Vicente Filho, assistente de campo do Projeto Mata Atlântica do Nordeste
© SAVE Brasil Enlarge
Jaqueline e Jaciele Tavares da Silva, professoras e alunas do curso de formação de condutores locais da SAVE Brasil.
© SAVE Brasil Enlarge
Choquinha de Alagoas (Myrmotherula snowi), espécie endêmica da Serra Murici-Urubu
© Arthur B. Andrade Enlarge
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